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História da filariose

Por:

Linfoedema, sec.XII. Museu de Tóquio

Linfoedema, sec.XII. Museu de Tóquio

A descoberta de Patrick Manson de que mosquitos transmitiam a filariose representa o nascimento da Entomologia Médica e o marco mais importante da Medicina Tropical. Suas observações sobre o ciclo de vida e as características clínicas da doença, bem como a demonstração da periodicidade noturna das microfilárias, resultaram em uma explosão do interesse pelas doenças transmitidas por insetos e colaboraram para a descoberta por Ross do vetor da malária

Primeiros registros

Sinais físicos característicos da filariose foram citados em documentos remontando à Grécia e à Roma Antiga, mas como estes sintomas podem resultar de outras causas, não podem atribuí-los com certeza à doença. Mas, em locais onde ainda hoje há abundância de vetores e condições climáticas favoráveis, como no Egito e na África, registros sobre elefantíase com certeza devem-se à filariose.

Escultura Nok

Escultura Nok

Um século antes de Cristo, Lucretius Caius afirmava que viver perto do Nilo era a causa dos numerosos casos de elefantíase. A estátua do faraó Mentuhotep, de cerca de 2000 a.C., mostra o inchaço característico das pernas. E a hidrocele é retratada em esculturas africanas Nok, de cerca de 500 d.C.

Ao visitar Goa no final do século XVI, o explorador holandês John Hugen Linschoten (1563-1611) afirmou que os descendentes daqueles que mataram São Tomé foram "amaldiçoados por Deus, por isso nasceram com uma de suas pernas e um pé, do joelho para baixo, grossos como as pernas de um elefante."

A descoberta da microfilária

O primeiro registro de microfilária em seres humanos foi feito por Demarquay, em 1863, no fluido leitoso da hidrocele de um paciente cubano que operara em Paris. Em 1866, Otto Wucherer descobriu microfilárias na urina de seus pacientes com hematúria (presença de sangue na urina) e quilúria (presença de quilo - líquido linfático - na urina) na Bahia.

Em 1872, Timothy Lewis, trabalhando em Calcutá, Índia, confirmou as observações de Wucherer e detectou microfilárias também no sangue, estabelecendo sua relação com a elefantíase. Pouco depois, Patrick Manson, em Amoy, na China, estabeleceu uma correlação clara entre a presença de microfilárias no sangue e as principais complicações da filariose.

O verme adulto

Em 1877, Joseph Bancroft descobriu um verme ao examinar o fluido de um paciente com um abcesso no braço, uma complicação rara da doença.  Enviou este material para o mais influente helmintologista médico, Stephen Cobbold, que o chamou de Filaria bancrofti em uma nota para a revista Lancet. Em seguida, Bancroft detectou mais vermes em uma hidrocele.

No mesmo ano, Silva Lima e dos Santos publicaram seus relatos de suas descobertas de vermes adultos. Em 1880, Manson encontrou vermes adultos em tecidos removidos cirurgicamente. Foi somente em 1921 que o nome Wuchereria bancrofti foi aceito.

Outras espécies

Em 1927, Lichtenstein observou que as microfilárias da filariose em partes da Indonésia eram diferentes da W. bancrofti. Enviou os espécimes para Brug, na Holanda, que as descreveu. Em 1940, Rao e Mapleston encontraram na Índia microfilárias e vermes adultos da espécie descrita por Brug. Em 1960, devido às diferenças entre os parasitos, Buckley propôs a criação de um novo gênero, Brugia. Novas espécies de Brugia foram encontradas em animais em várias partes do mundo, inclusive uma infectando homem, B. timori, responsável pela filariose na ilha de Timor.

 Manson e Hinlo

Manson e Hinlo

A transmissão pelo mosquito

Após examinar microfilárias no sangue, Manson interessou-se em saber o que acontecia com um animal que se alimentava daquele fluido, o mosquito. Fez picar seu jardineiro, Hinlo, por estes insetos durante vários dias, coletou-os nos cinco dias seguintes e encontrou, no estômago, "um animal simples, sem estrutura, que após passar por uma série de metamorfoses altamente interessantes, aumenta muito de tamanho, possuindo um canal alimentar e sendo adaptado para a vida independente."

Era a primeira vez que se estabelecia a relação entre um mosquito e uma doença. Manson demorou a reconhecer que a transmissão se dava pela picada do inseto, não por ingestão do parasito, só se convencendo em 1900 de que as larvas eram inoculadas no momento da picada.

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Filariose linfática
 

 

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