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Os pioneiros

Por: invivo

Sentados, a partir da esquerda,Carlos Chagas, Gomes de Faria, Cardoso Fontes, Gustav Giemsa, Oswaldo Cruz. Stanislas Von Prowazek e Adolpho Lutz. Em pé, Arthur Neiva, Rocha Lima, Figueiredo de Vasconcelos, Alcides Godoy e Henrique Aragão.

 

Em um dia qualquer entre junho e dezembro de 1908, Oswaldo Cruz reuniu os pesquisadores de Manguinhos para uma foto em frente ao caramanchão da Casa de Chá. Era uma forma de registrar a passagem por Manguinhos de dois ilustres cientistas alemães, Gustav Giemsa e Stanislas Von Prowazek.

A vinda dos dois pesquisadores era um dos primeiros frutos do sucesso alcançado pelo Brasil no Congresso de Higiene e Demografia de Berlim, quando conquistara a medalha de ouro pelas campanhas de saneamento do Rio de Janeiro.

Além de desenvolver pesquisas, Prowazek e Giemsa contribuiriam para a capacitação dos jovens cientistas do Instituto.

 

Gomes de Faria

1887-1962

Médico, José Gomes de Faria destacou-se pela descoberta de do verme Ancylostoma. brasiliensis, um parasito de cães e gatos, que causa, no homem, a dermatite serpiginosa, também conhecida como bicho geográfico ou larva migrans cutânea.

Gomes de Faria começou em Manguinhos como estudante. Em 1912, participou de expedição científica ao Ceará e ao Piauí, patrocinada pela Inspetoria de Obras contra as Secas. Como helmintologista, descreveu espécies novas de trematódeos. Desenvolveu ainda pesquisas em bacteriologia e biologia marinha e dedicou-se ao campo das fermentações industriais.

Em 1933, transferiu-se para o Instituto Nacional de Tecnologia, onde chefiou a Seção de Fermentações, em um programa de apoio ao Instituto de Açúcar e do Álcool. Professor da Escola Nacional de Química, deu orientação técnica para a criação do Instituto de Pesquisa do Hospital Gafrée Guinle.

Cardoso Fontes

(1879-1943)

Médico fluminense, Antônio Cardoso Fontes destacou-se por seus estudos sobre a tuberculose.  Um dos primeiros pesquisadores de Manguinhos, especializou-se na Alemanha e em Paris, no laboratório de Calmette, um dos criadores da vacina contra essa moléstia.

Combateu a febre amarela em São Luís e organizou os serviços sanitários da capital maranhense. Com a morte de Carlos Chagas, assumiu a direção do Instituto Oswaldo Cruz. Fundador e primeiro Presidente da Sociedade Brasileira de Tuberculose, foi ainda um dos fundadores da Faculdade de Ciências Médicas do Rio de Janeiro, da qual foi professor de Microbiologia e seu primeiro Diretor.

Gustav Giemsa

(1867-1948)

Químico,farmacologista e bacteriologista alemão, Gustav Giemsa é mais conhecido pelo desenvolvimento da coloração Giemsa, usada no diagnóstico histopatológico da malária e de outras doenças parasitárias. Seu método ainda é empregado ainda hoje nos laboratórios.

Trabalhou com Bernhardt Nocht no Instituto de Medicina Tropical de Hamburgo, tornando-se, em 1900, chefe do Departamento de Química. Em 1908, passou seis meses em Manguinhos.  Retornou ao Brasil em 1935, junto com Ernst Nauck, para estudar a aclimatação das populações de origem alemã do Espírito Santo nos trópicos.

Stanislas Von Prowazek

(1875-1915)

Zoóloogo e microbiologista de origem tcheca, Stanislas Josef Mathias von Prowazek trabalhou com alguns dos maiores pesquisadores alemães da época, como Fritz Schaudinn e Paul Erlich. Desenvolveu pesquisas sobre várias doenças infecciosas e parasitárias, como tracoma, sífilis, protozooses, doença de Newcastle, entre outras.

Esteve em Java, Japão, Sumatra e Samoa Ocidental, sempre pesquisando doenças infecciosas e parasitárias. Em 1908, trabalhou no Instituto de Manguinhos, em estudos sobre varíola e vacínia e na capacitação de jovens pesquisadores brasileiros. Com Rocha Lima, desenvolveu pesquisas sobre tifo exantemático. Foi essa moléstia o motivo da viagem dos dois pesquisadores a um campo de prisioneiros em Cotbus,em 1915. Ambos contraíram tifo, mas Prowazek não sobreviveu.

Adolpho Lutz

(1885-1940)

Nascido no Rio de Janeiro e formado em Medicina na Suíça, Adolpho Lutz descobriu uma nova moléstia: a blastomicose sul-americana, hoje conhecida como paracoccidioidomicose, uma doença pulmonar causada por um fungo.

Lutz começou sua carreira profissional no interior de São Paulo. Em 1889, viajou para o Havaí para estudar uma epidemia de hanseníase. De volta ao Brasil, assumiu a direção do Instituto Bacteriológico de São Paulo, o primeiro do gênero na América do Sul e que hoje tem seu nome. Em 1908, entrou para o Instituto de Manguinhos, onde trabalhou por 32 anos.

Lutz publicou inúmeros trabalhos sobre febre tifóide, malária, esquistossomose, difteria, leishmaniose, hanseníase, micoses, entre outros. Desenvolveu ainda importantes pesquisas em entomologia. Seu falecimento ocorreu em 1940.

Arthur Neiva

(1880-1943)

Cientista, entomologista e político baiano, Neiva desenvolveu importantes estudos sobre os barbeiros, descrevendo novas espécies e identificando o mecanismo de transmissão da doença de Chagas. Pesquisou os mosquitos transmissores da malária e detectou o fenômeno da resistência do plasmódio ao quinino. Chefiou a comissão que implantou, de forma pioneira, o controle biológico do inseto transmissor da broca do café.

Com Belisário Penna, empreendeu expedição do Instituto de Manguinhos ao interior do Brasil, descrevendo as péssimas condições de vida da população, o que o levou a liderar o movimento em prol do saneamento básico. Foi interventor na Bahia e deputado federal e dirigiu o Museu Nacional e o Instituto Biológico de São Paulo.

Figueiredo de Vasconcellos

Contemporâneo de Oswaldo Cruz na Faculdade de Medicina, Henrique de Figueiredo de Vasconcellos, veio para Manguinhos por ocasião de sua criação, trazido pelo Barão de Pedro Affonso, com quem trabalhava no Instituto Vacínico do Rio de Janeiro. Especializou-se no Instituto Pasteur de Paris, desenvolveu as primeiras pesquisas em micologia da instituição, campo para o qual prestou grandes contribuições.

Indicado por Oswaldo Cruz, assumiu, em 1909, a Diretoria Geral de Saúde Pública, demitindo-se pouco tempo depois em protesto contra a redução de verbas para a Saúde. Em Manguinhos, participou diretamente da administração, ocupando interinamente a diretoria nas ausências de Oswaldo Cruz.

Alcides Godoy

(1880-1950)

Médico paulista, Alcides Godoy destacou-se pelo desenvolvimento das vacinas veterinárias contra o carbúnculo sintomático ou peste da manqueira e contra o antraz (esta última com Astrogildo Machado), moléstias com grande impacto na economia brasileira.

Um dos integrantes do chamado jardim de infância da ciência, termo que Oswaldo Cruz usava para referir-se aos pioneiros de Manguinhos, Godoy ingressou no Instituto em 1903, para trabalhar na produção de soros e vacinas, permanecendo até sua morte.

Godoy cedeu os direitos de suas vacinas ao Instituto para a aplicação em atividades científicas. A chamada verba da manqueira foi fundamental para fortalecer a autonomia de Manguinhos. Em fins da década de 1930, com a centralização dos recursos pelo Governo, Godoy e Machado criaram uma empresa, ainda existente, para a fabricação desses  imunizantes.

Henrique Aragão

(1879-1956)

Médico fluminense com especialização na Alemanha, Henrique de Beaurepaire Rohan Aragão descobriu o ciclo exo-eritrocitário do Haemoproteus columbae, um parasito de pombo, o que contribuiu para a descoberta de ciclo semelhante do plasmódio, agente da malária. Descobriu ainda o vírus do mixoma do coelho, o que possibilitou o controle populacional deste animal, que se tornara uma praga na Austrália, demonstrou a transmissibilidade da Leishmaniose brasiliensis pelo flebótomo.

Dedicou-se a estudar os carrapatos do Brasil, descrevendo várias novas espécies. Desenvolveu ainda pesquisas sobre febre amarela, varíola, varicela, bem como em entomologia.

Em Manguinhos, Aragão foi estagiário, pesquisador, chefe de serviço, professor e diretor. Neste cargo, organizou serviços avançados em doença de Chagas, bouba, esquistossomose e bócio endêmico. Criou o Centro de Bambuí, em Minas, para o estudo da doença de Chagas. Implantou ainda em Manguinhos a estação de biologia marinha e o horto das plantas medicinais.

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