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O maior desastre dos sete mares

Por: Bruno Delecave

 Deepwater Horizon. Foto: US Coast Guard

Deepwater Horizon. Foto: US Coast Guard

Você já tentou misturar água e óleo (ou azeite)? Eles não se misturam... Tudo o que não se mistura com água é chamado insolúvel. Mas se misturarmos água com leite (ou suco), tudo vai se misturar, formando um único líquido. Por isso, dizemos que o leite é solúvel. 

 O petróleo – assim como o óleo – é insolúvel. Mas, diferentemente do óleo utilizado para cozinhar, o petróleo serve para muitas coisas. A principal delas é produzir combustível para carros e outros automóveis. Até mesmo os foguetes utilizam petróleo para voar até a lua. Por isso ele é tão importante. 

 Mas por ser insolúvel o petróleo também pode ser muito perigoso. Como não se mistura com a água, se for jogado ao mar pode fazer uma sujeira enorme. Os bichos que vivem no mar sofrem muito com isso, os peixes não conseguem respirar e acabam morrendo. Os pássaros ficam com as penas cheias de petróleo e podem se afogar. A situação também fica ruim para as pessoas que vivem na praia. Os pescadores, por exemplo, encontram mais dificuldades para pescar e podem ficar sem ter o que comer.

Mais de dez maracanãs

Foto:IBRRC

Foto:IBRRC

Infelizmente, tudo isso acaba de acontecer no planeta Terra! Uma empresa – a British Petroleum – estava retirando petróleo do fundo do mar, no Golfo do México, e por acidente o óleo todo começou a vazar. E continua vazando há quase um mês. O problema ainda não foi resolvido e, enquanto cientistas e governantes procuram uma solução, mais de 400 mil barris de petróleo já foram derramados no mar. Enchendo o Maracanã até a boca – como se fosse uma banheira gigante – precisaríamos de dez estádios e meio para guardar tanto petróleo.
Para muitos, este é o maior desastre ambiental de todos os tempos. Nada menos que 400 espécies de animais estão em risco devido ao óleo derramado.  Entre os mais afetados estão peixes e aves. A maior parte das aves migratórias (pássaros que precisam mudar de região durante o inverno) dos Estados Unidos descansa onde aconteceu o acidente. Como o lugar está todo sujo de óleo, esses pássaros não têm onde repousar depois de seus longos voos pelo mundo.

O Atum Azul é outro animal em risco. O derramamento de óleo aconteceu justamente onde o peixe faz a desova e isso trará graves consequências para a reprodução da espécie. A época da desova está chegando e, com o mar ainda todo sujo, os novos peixinhos não terão onde nascer. Daqui para frente, os pescadores vão encontrar muita dificuldade para pescar atum e podem ficar sem trabalho. Além disso, este delicioso pescado não vai chegar à mesa de quem quiser saboreá-lo.

 É claro que um desastre tão grande como este está causando muita dor de cabeça por aí. O presidente dos Estados Unidos, Barrack Obama, quer que a empresa responsável resolva o problema o mais rápido possível. Mas como o vazamento aconteceu numa área muito profunda do mar, não é fácil tampar o buraco. Além disso, o petróleo se espalhou completamente e já cobre uma área imensa de água. Os cientistas precisam não apenas tapar o buraco para interromper o vazamento, mas também recolher todo o petróleo que já vazou. E nós sabemos que tirar óleo da água não é nada fácil...

Um alerta para todos nós

Mar de óleo. Foto: Greenpeace

Mar de óleo. Foto: Greenpeace

 

Não é só nos Estados Unidos que se explora petróleo no fundo do mar. Empresas brasileiras – como a Petrobras – também vão a águas profundas atrás de petróleo. Se um desastre como o do Golfo do México acontecesse na Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro, a mancha de óleo já teria atingido as praias de Copacabana e Ipanema. Assim, nenhuma criança poderia brincar ali. Além disso, peixes, aves e crustáceos seriam afetados.

Dependendo da época do ano, baleias ou tartarugas também sofreriam as consequências do acidente. Durante o inverno, esta parte do oceano serve de passagem para as baleias e, durante o verão, as terras próximas são abrigo para a desova de tartarugas. Por isso, este acidente deve servir de alerta para que nada assim aconteça de novo, em lugar nenhum do mundo. 

Além de sujar a água, o petróleo polui o ar, quando é queimado nos motores dos carros. Por isso, muitos cientistas querem substituí-lo pelos chamados combustíveis limpos, que prejudicam menos o meio ambiente, como o álcool. A gasolina vem do petróleo, mas o álcool vem de plantas, como a cana-de-açúcar. Além de não sujar tanto as águas, o álcool vem de plantações, que “limpam” o ar ao capturar gás carbônico durante a fotossíntese. Mesmo assim, empresas insistem um usar petróleo como principal forma de combustível, porque com ele têm mais lucros e ficam mais ricas.

Enquanto as pessoas discutem todos esses problemas em busca de uma solução, os animais – que não podem discutir nada – permanecem sofrendo. O desastre no Golfo do México já afetou muitos peixes, pássaros, tartarugas, caranguejos... A lista não acaba mais. São seres vivos que não podem se defender e dependem do homem para continuar vivendo no planeta Terra.

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Cada um na sua

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