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Lobo-guará, um solitário no cerrado

Por: Bruno Delecave

 Lobo-guará. Foto: Wikipedia.

Lobo-guará. Foto: Wikipedia.

O belo lobo-guará já caminhou através de florestas, campos e cerrado sul-americanos, mas hoje é encontrado, principalmente, no cerrado. Por isso é utilizado como símbolo dos movimentos de conservação deste bioma brasileiro. Hoje, ainda é possível encontrá-lo na natureza, mas muito menos do que antigamente. Isso por que esse animal tímido e dócil está ameaçado de extinção.

A quase extinção destes canídeos se deve principalmente à destruição do seu habitat pelo avanço das áreas urbanas e agropecuárias. Mas também por terem sido caçados por fazendeiros que os consideravam ameaças aos seus rebanhos.

Características

O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo do América do Sul. Pesa entre 20 e 25 quilos e pode medir até quase 2 metros de comprimento. Suas pernas longas são responsáveis pelos seus até 80 cm de altura. Além disso, facilitam subir morros, ver sobre a vegetação típica do cerrado e pular sobre a caça.

 Distribuição geográfica. Imagem: Wikipedia.

Distribuição geográfica. Imagem: Wikipedia.

A coloração avermelhada do pelo e as orelhas grandes, combinadas com as pernas e o focinho de cor escura, fazem o lobo-guará lembrar uma raposa grande usando meias pretas. A audição dele é muito boa, mas o sentido do olfato é um dos piores entre os canídeos.

Ao contrário da maioria dos membros da família Canidae, que caçam em bandos, o lobo-guará é um solitário. Por isso mesmo só se alimenta de animais menores do que ele – como aves e roedores – e vegetais – como raízes e frutos.

A lobeira

A fruta preferida do lobo-guará chama-se lobeira ou fruta-do-lobo (Solanum lycocarpum). A relação entre animal e vegetal, neste caso, é de benefício para ambos – uma relação simbiótica.

O fruto da lobeira age como um vermífugo natural contra o verme-gigante dos rins, Dioctophyme renale, que causa graves complicãções renais neste lobo, bem como em outros canídeos e mustelídeos (martas, lontras, quatis, entre outros.)  Por outro lado, ao evacuar, o lobo guará promove a dispersão das sementes. Portanto, para preservar esta espécie, é preciso também preservar a lobeira e a região onde ela é encontrada: o cerrado.

 Flor da lobeira. Foto: Wikipedia.

Flor da lobeira. Foto: Wikipedia.

 

Saiba mais:

Os canídeos

Bioma Cerrado


Link externo:

Projeto de monitoramento do lobo-guará

Consultoria: Miguel de Oliveira. Museu da Vida - Fiocruz.

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