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Insetos e a biodiversidade

Por: Bruno Delecave

 Borboleta. Foto: Mario Magallanes.

Borboleta. Foto: Mario Magallanes.

Existem muitas espécies de animais em nosso planeta. Essa variedade é conhecida como diversidade biológica ou biodiversidade.Manter a biodiversidade do planeta é muito importante. Entretanto, cada vez mais rápido, espécies animais e vegetais estão sendo extintas. Até biomas inteiros estão correndo risco de desaparecerem.

Dentre todas as espécies animais, o grupo dos insetos tem a maior diversidade. Conhecemos quase um milhão de espécies de insetos. Mas, cientistas acreditam que existam algo entre 2,5 e 10 milhões de espécies. Ou seja, não conhecemos nem metade delas, talvez muito menos. Já pensou em achar um inseto desconhecido e ter a honra de escolher seu nome?

Apesar de pequenos, os insetos são muito importantes para nosso planeta. Alguns ajudam a adubar a terra, tornado-a fértil. Outros são fundamentais para a reprodução de espécies vegetais. Também há espécies perigosas, que podem destruir plantações e transmitir doenças. Vamos conhecer um pouco mais sobre alguns desses pequenos animais?

 Besouro. Foto: Dan Cox.

Besouro. Foto: Dan Cox.

Insetos sociais

Alguns são muito organizados e vivem em sociedades complexas. Os insetos sociais têm esse nome por causa de sua organização, e incluem formigas, abelhas e cupins. A maior diversidade desses bichos está presente no Brasil.

Nas sociedades dos insetos, o trabalho é dividido. Apenas um pequeno grupo é capaz de se reproduzir, enquanto o restante fica responsável por cuidar da colônia. Nas espécies sociais, uma ou mais rainhas são as únicas fêmeas reprodutoras. Os indivíduos estéreis são chamados operários, pois fazem todo o trabalho na colônia.

 Formiga. Foto: Marcin Morawiec.

Formiga. Foto: Marcin Morawiec.

Em algumas espécies de cupins e formigas há um outro grupo para fazer a defesa – os soldados. Muitas vezes, rainhas e soldados não conseguem se alimentar sozinhos. As operárias se encarregam de trazer alimento para ambos, além dos insetos jovens.

Enquanto as fêmeas se dividem em rainhas, operárias e soldados, os machos fazem sempre o mesmo trabalho. A única função deles é fecundar as rainhas e, em geral, morrem logo depois de cumprida esta tarefa.

A reprodução da espécie é um esforço coletivo de toda a colônia. Isso significa menor variabilidade genética em comparação com espécies nas quais a reprodução é feita por casais. Assim, os indivíduos de uma mesma colônia quase não têm diferenças genéticas.

Entretanto, existem grandes vantagens na organização em sociedade. Afinal, como já dizia um ditado, a união faz a força. Em grupo é mais fácil se defender e construir um ninho. Além disso, os trabalhos necessários são realizados ao mesmo tempo, enquanto insetos solitários fazem uma coisa de cada vez.

Polinizadores

 Abelha. Foto: Et Fox.

Abelha. Foto: Et Fox.

A reprodução das plantas floríferas (angiospermas) é dependente de polinizadores. Mas esses agentes também dependem das flores. A evolução dessas plantas e seus polinizadores ocorreu de forma conjunta e, atualmente, um não pode sobreviver sem o outro.

Os principais polinizadores são as abelhas. Em troca, as plantas produzem substâncias doces – ou néctar. Quando uma abelha pousa em uma flor e suga seu néctar, fica com grãos de pólen - estruturas reprodutivas masculinas – presas em suas cerdas. Depois, quando pousar em outra flor, transfere o pólen, promovendo a a fecundação daquela planta.

Quando as abelhas desaparecem de uma região – em geral por causa da ação do homem –, as plantas frutíferas encontram muita dificuldade em se reproduzir. Há milhares de anos colméias de abelhas são utilizadas pelo homem para auxiliar na polinização de vegetais.

Existem outros insetos polinizadores, como besouros, moscas e borboletas. Mas por terem menos pelos do que uma abelha, não são tão eficientes neste trabalho. Algumas aves – como o beija-flor – também realizam este importante trabalho. Até mesmo o homem pode polinizar flores, coletando manualmente o pólen e transferindo-o.

Pragas

 Gafanhoto. Foto: Archytos.

Gafanhoto. Foto: Archytos.

Todo ser – seja animal ou vegetal – nocivo à agricultura é considerado uma praga. Muitas espécies de inseto são pragas e causam enormes prejuízos às lavouras e plantações em todo mundo. Milhões de dólares são gastos todos os anos para tentar conter esses danos.

As “nuvens de gafanhotos” – formadas por espécies migratórias – devastam toda vegetação encontrada no seu caminho. Não são os únicos a devorar plantações destinadas ao homem. Os principais grupos de insetos pragas incluem pulgões, moscas, percevejos, grilos, gafanhotos e besouros.

Transmissores de doenças

 Barbeiro. Foto: Wikipedia.

Barbeiro. Foto: Wikipedia.

Inúmeras doenças são transmitidas por insetos. Entre os transmissores, destacam-se os mosquitos e os barbeiros. Malária, dengue e febre amarela são doenças muito perigosas, todas transmitidas por mosquitos. Já a Doença de Chagas é transmitida por barbeiros.

Outros insetos – tais como baratas e formigas – podem carregar sujeira. Esta sujeira pode levar a alguma infecção, da mesma forma quando alguém come de mãos sujas também pode ficar doente. Portanto, não se deve comer comida que tenha tido contato com esses insetos.

Saiba mais:

Insetos: uma aventura pela biodiversidade (livro)

Consultoria: Tereza Costa e Fabiola Mayrink - Museu da Vida / Fiocruz.

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