Aumentar tamanho da letra  Reverter ao tamanho original Diminuir tamanho da letra  english español

Febre Chikungunya

Por: Tereza Costa

Febre, dor nas juntas, dor de cabeça e manchas vermelhas pelo corpo... É dengue! – você logo pensa. Mas atenção: pode ser outra doença, ainda pouco conhecida no Brasil, a febre Chikungunya.

Mas que doença é essa? Ela é causada pelo vírus Chikungunya (CHIKV) e foi descrita pela primeira vez em 1952, durante uma epidemia na Tanzânia, no continente africano. Desde então, a doença foi identificada em mais de quarenta países da Ásia, África, Europa e América, incluindo o Brasil (veja o mapa a seguir).

O vírus Chikungunya (CHIKV) é do grupo dos alfavírus. Seu material genético contém RNA. O vírus da dengue pertence a outro grupo, o dos flavivírus.[wikipedia]

O vírus Chikungunya (CHIKV) é do grupo dos alfavírus. Seu material genético contém RNA. O vírus da dengue pertence a outro grupo, o dos flavivírus.[wikipedia]

Duas doenças com muito em comum

Além dos sintomas parecidos, dengue e chikungunya têm muito mais em comum. Ambas são arboviroses, ou seja, viroses que passam de uma pessoa para outra pela picada de artrópodes, neste caso, mosquitos.

O mesmo mosquito que transmite a dengue no Brasil (Aedes aegypti) também transmite a febre chikungunya. A outra espécie transmissora, Aedes albopictus, também existe por aqui. (veja a matéria Diferenças entre A. aegypti e A. albopictus. Por ser transmitida por duas espécies de mosquitos tão comuns no nosso país, a febre chikungunya pode se espalhar rapidamente.

Veja no quadro a seguir algumas diferenças entre dengue e febre chikungunya.

                           

   Chikungunya x Dengue

 

 Febre chikungunya

 Dengue

 Causador

 Vírus do grupo dos
Alfavivírus; apenas um  subtipo  causa a doença.

Vírus do grupo dos Flavivírus; há quatro subtipos que causam a doença

 Transmissor

 Mosquitos das espécies
Aedes aegypti e Aedes albopictus.

No Brasil, mosquitos da espécie
Aedes aegypti

 Febre

 +++

 ++

 Dores musculares

 +

 ++

 Dores nas articulações

 +++

 +/-

 Erupções na pele

 ++

 +

 Diminuição no número de plaquetas

 +

 +++

“Aqueles que se dobram”

Os primeiros sintomas da doença aparecem entre dois e 12 dias após a picada do mosquito infectado. Este intervalo de tempo é conhecido como período de incubação.

Os sintomas começam de repente: febre alta (acima de 38,9ºC) acompanhada de forte dor nas articulações (artralgia), sobretudo nos pulsos e tornozelos. Também pode haver dores musculares, dor de cabeça, náusea, cansaço e manchas vermelhas pelo corpo. Raramente surgem complicações oculares, neurológicas e cardíacas. O risco de morte é baixo e ocorre principalmente em pessoas idosas ou debilitadas.

A maior parte dos pacientes se recupera completamente em dez dias, mas, em alguns casos, a dor nas articulações pode persistir por semanas ou mesmo por meses, dificultando até mesmo atividades do dia a dia. Este sintoma  explica o nome da doença: a palavra “chikungunya” significa, em um dos idiomas da Tanzânia, “aqueles que se dobram”, uma referência à postura curvada dos pacientes em decorrência da intensa dor nas articulações.

Não existe vacina ou tratamento específico para combater o vírus. Os remédios apenas aliviam sintomas, como dor e febre. O paciente não precisa ficar isolado, mas deve fazer repouso e beber bastante líquido.

Mais ou menos um terço das pessoas infectadas pelo vírus não chega a desenvolver sintomas da doença ou os apresenta apenas de forma branda.

O vírus não é transmitido diretamente de uma pessoa para outra, embora exista risco de transmissão durante o parto. Depois de curadas, as pessoas ficam imunes à doença.

  Como evitar

Assim como na dengue, o combate à doença depende do controle dos mosquitos que transmitem o vírus. Por isso, eliminar os criadouros nas casas e na vizinhança é fundamental.

Em caso de suspeita de Chicungunya, procure uma unidade de saúde e não tome remédios por conta própria: eles podem mascarar os sintomas e agravar o estado de saúde.

Chikungunya no Brasil e no mundo

O mapa abaixo mostra os países que registraram casos da doença até novembro de 2014. Alguns deles têm apenas casos importados, isto é, quando o doente se contaminou em um local diferente de onde vive.

Até o final de 2013 os casos autóctones (quando o doente se contamina onde vive) ocorriam apenas em alguns países da África e Ásia, onde o vírus circulava. No final de 2013, o vírus passou a circular também em vários países do Caribe e, em março de 2014, na República Dominicana e Haiti.

Organizações de saúde de vários países receiam que chikungunya se espalhe rapidamente pela América. A população do continente é considerada vulnerável tanto pela presença dos mosquitos transmissores, como pela falta de imunidade das pessoas ao vírus, que nunca circulou nesta região.

MAPA DOS PAÍSES COM CASOS AUTÓCTONES DE CHICUNGUNYA
Clique no mapa para ver dados atuais

Fonte: http://www.cdc.gov/chikungunya/geo/index.html Dados até janeiro de 2015

Fonte: http://www.cdc.gov/chikungunya/geo/index.html Dados até janeiro de 2015

Os primeiros registros de chikungunyua no Brasil foram dois casos importados,  em São Paulo, em 2010. Em 2012, outro caso importado foi diagnosticado no Rio de Janeiro. Em junho de 2014, cinco militares que voltavam de missões no Haiti manifestram a doença no Brasil. Mais 37 casos importados surgem nos meses seguintes. Em pouco tempo, ainda em 2014, surgem os primeiros casos autóctones no país, principalmente na Bahia. A ocorrência de casos autóctones é preocupante porque significa que mosquitos brasileiros foram infectados com o vírus e que a doença pode se espalhar.

Veja nas tabelas abaixo a distribuição dos 337 casos de chikungunya, entre importados e autóctones, registrados no país até o dia 11 de outubro de 2014.

Número de casos importados

     Estado de notificação

Número

 Amazonas

 1

 Amapá

1

 Ceará

 4

 Distrito Federal

 2

 Goiás

 1

 Maranhão

 1

 Pará

 1

 Paraná

 2

 Rio de Janeiro

 3

 Rio Grande do Sul

 2

 Roraima

 3

 São Paulo

 17

 Brasil

 38

Número de casos autóctones

 Estado

 Números

Amapá

 17

Bahia

 281

Minas Gerais

 1

Brasil

 299

Fonte: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/noticias-svs/15072-ministerio-da-saude-atualiza-situacao-do-virus-chikungunya

Para saber um pouco mais
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2014/08/chegou-para-ficar
http://www.canal.fiocruz.br/video/index.php?v=Chikungunya-LES-1721

É dengue ou chikungunya?
http://www.canal.fiocruz.br/video/index.php?v=E-Dengue-ou-Chikungunya-SDC-0273

Para aprofundar o assunto
http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/setembro/16/Perguntas-e-Respostas-sobre-Chikungunya.pdf
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/noticias-svs/15072-ministerio-da-saude-atualiza-situacao-do-virus-chikungunya
http://cievsrio.wordpress.com/2014/10/15/chikungunya-no-brasil/
http://cievsrio.wordpress.com/2014/03/07/ministerio-da-saude-informa-procedimentos-a-serem-adotados-para-vigilancia-da-febre-do-chikungunya-no-brasil/
http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs327/en/
http://www.cdc.gov/chikungunya/
http://wwwnc.cdc.gov/travel/yellowbook/2014/chapter-3-infectious-diseases-related-to-travel/chikungunya

O conteúdo indicado acima foi acessado em 24 out 2014.

Você tem algum tema ou dúvida sobre ciência e gostaria de ver esse assunto no Invivo? Conte para nós.

 

versão para impressão: versão para impressão