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A preá catarinense

Por: invivo

Foto:Carlos H Salvador

Foto:Carlos H Salvador

Restam somente cerca de 42 animais que vivem em um espaço de aproximadamente quatro hectares (o equivalente a cerca 19 campos de futebol). Encontrada apenas na maior das pequenas Ilhas Moleques do Sul, a preá de Santa Catarina (Cavia intermedia) é classificada como criticamente em perigo pelas listas de organizações da área nacionais e internacionais, como a do programa Edge of Existence (limite da existência), uma iniciativa voltada para a conservação de espécies distintas evolutivamente e em risco globalmente.

Essa pequena preá mede cerca de 25cm e pesa pouco mais de meio quilo. Alimenta-se de gramíneas. Reproduz-se durante o ano inteiro e a gestação dura dois meses. Cada fêmea pare de um a dois filhotes. Estes nascem com metade do tamanho do adulto e demoraram mais tempo para amadurecer do que as espécies do continente.

A preá de Santa Catarina separou-se dos porquinhos da Índia do continente há cerca de 8 mil anos, quando o aumento dos níveis do mar levou ao isolamento das Ilhas Moleques do Sul. Desde então, desenvolveu várias adaptações para a vida em um espaço pequeno, como alta densidade populacional e estrutura etária estável.

Com uma população tão pequena, o incesto é a norma. Cientistas afirmam que o grupo apresenta uma das menores diversidades genéticas do reino animal. Cruzamentos consanguíneos costumam dar origens a proles com algum tipo de deformação.

Mas esse não é o caso das preás de santa Catarina, que se adaptaram à sobrevivência em um pequeno grupo. Os cruzamentos que poderiam gerar filhotes com defeitos já ocorreram e os alelos (variações do mesmo gene) problemáticos foram eliminados pela seleção natural.

Embora a ilha esteja situada dentro do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, é muito procurada como local de acampamento e pesca. Já foram registrados incêndios causados pelo homem, bem como a introdução de espécies exóticas, como cabras. Um dos motivos da sobrevivência desta preá é a ausência de predadores. Assim, um único gato ou cão poderia rapidamente provocar a extinção da espécie.

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