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DNA na Cozinha

Por: Milton Moraes

Extração de DNA de mucosa bucal

1. Bochechar aproximadamente 10-15ml de água com açúcar (3%, uma colher de chá de açúcar em meio copo de requeijão. Uma quantidade maior de células pode ser obtida fazendo um raspado da mucosa com uma espátula de madeira).

2. Acondicione em um tubo cônico com tampa o volume obtido do bochecho (apenas 5ml) e adicione uma pitada de sal de cozinha (para aprox. 1% final).

3. Adicionar algumas gotas (5-10) de detergente diluído à 25% (1:4) e homogeneizar vagarosamente.

4. Aquecer a 55oC por 10 min. Resfriar 5 min no gelo.

5. Adicionar álcool gelado (absoluto se possível) pelas bordas do copo lentamente, com o auxílio de uma colher de sopa, até que se alcance pelo menos 1cm de espessura.

O DNA (massaroca esbranquiçada) deverá formar um aglomerado e subir.

Extração de DNA de cebola na cozinha

1. Pegue ½ cebola em cubos (como no espaguetti). Pode se utilizar um liquidificador ou mixer quando disponível.

2. Adicionar 50ml de solução de lise (1 colher de sopa de detergente +1 colher de café de sal de cozinha). Elevar o volume com água da pia.

3. Aquecer a 55oC por 10 min. Resfriar 5 min no gelo.

4. Passar a solução em um filtro de café. Opcional: Ao filtrado, adicionar uma pitada de amaciante de carne.

5. Adicionar álcool gelado (absoluto se possível) pelas bordas do copo lentamente, com o auxílio de uma colher de sopa, até que se alcance pelo menos 1cm de espessura

Será que funciona com outra amostra: ervilha, morango, Yakult, fermento biológico... Por que você não tenta em casa?

Quais são as dicas do "Chef"?

Compare os dois métodos. Quais são as semelhanças e diferenças? Como esse processo funciona?

Como age o detergente?

O detergente dissolve lipídeos e proteínas rompendo a célula.

E a temperatura, o sal e o álcool?

A temperatura elevada (55oC) inativa as DNAses (enzimas que degradam o DNA) e auxilia a dissolução da membrana celular.

O sal (NaCl) possibilita a precipitação dos ácidos nucleicos em solução alcoólica, porque ele bloqueia a eletronegatividade do esqueleto fosfato-açúcar e favorece a aglomeração das moléculas de DNA.

Como DNA não é solúvel em álcool, quando este é adicionado à mistura, todos os componentes da mistura, exceto o DNA, permanecem em solução, enquanto o DNA precipita na camada alcóolica.

Atenção aos cientistas cozinheiros

Os materiais utilizados podem ser perigosos se ingeridos e devem ser manuseados com extrema cautela. O álcool é inflamável e deve ser mantido longe do fogo.

Desenvolvida para o evento Genes no Parque, em comemoração aos 50 anos da descoberta da estrutura do DNA, a atividade DNA na Cozinha foi coordenada por Milton O. Moraes e contou com a participação inestimável de Alejandra N. Martinez, Cláudia F. Alves, Diogo Coutinho, Guilherme Mattos, Patrícia R. Vanderborght, Rocio Saavedro-Acero, Sidra E. Vasconcellos e Viviane M. Câmara. Todos os integrantes desenvolvem atividades de pesquisa no Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz. Os procedimentos foram desenvolvidos a partir de métodos do laboratório ou descritos por outros autores, segundo o livro Biologia Molecular na Prática Médica e Biológica, de Milton º Moraes

Fonte de imagem: Museu da Vida/ Fiocruz

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