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Um inseto na cabeça!

Por: Sarita Coelho

A criança vai para a escola e volta reclamando de uma coceira horrível na cabeça. Quando resolve vasculhar o couro cabeludo, vê minúsculos pontinhos cinzentos movimentando-se em várias direções. Logo não tem dúvidas: está com piolhos! Esse episódio pode ser imaginário, mas saiba que ele é muito comum. Todos os anos, crianças e adultos têm suas cabeças invadidas por uma infestação de piolhos conhecida como pediculose. Mas por que será que esses parasitos gostam tanto de ficar na cabeça dos homens?

Os piolhos são insetos pequenos, sem asas, que se alimentam de sangue e estão aptos a viver permanentemente sobre o corpo de seus hospedeiros. Esses sugadores possuem três pares de pernas e são uma espécie de “inseto-alpinista” que conta como uma garra que permite a locomoção e a fixação nos fios do cabelo.

Existem três fases do ciclo vital dos piolhos: ovo, ninfa e adulto. Os ovos possuem no máximo 0,8 milímetro e podem ser notados como pequenas manchas brancas no cabelo, as conhecidas lêndeas. Na fase ninfa, o piolho sai o ovo e se prepara para a fase adulta, quando estão prontos para a reprodução. Cada fêmea é uma pequena máquina de procriação. Pode colocar de 4 a 10 ovos por dia e, como o ciclo tem duração de quatro semanas, é possível que em um mês o couro cabeludo esteja todo infestado!

A transmissão do piolho é feita pelo contato direto, quando ele passa de uma cabeça para outra num piscar de olhos; ou indireto, quando ele fica preso em pentes ou chapéus. Por isso é tão difícil se proteger dessas pragas durante uma epidemia, principalmente na fase escolar, quando as crianças tendem a ficar mais próximas umas das outras.

Considerado um problema de saúde pública, esses insetos podem transmitir doenças como a febre das trincheiras, que possui esse nome por ter aparecido durante a I e a II Guerra Mundial, épocas em que a superlotação e a falta de higiene dos campos de refugiados levaram a uma epidemia de piolhos. A febre recorrente, que pode causar a morte quando não tratada, é o tifo exantemático, que se caracteriza pela febre e irritação da pele, também é exemplo de enfermidades que podem aparecer. Outro problema é a anemia, que ocorre quando a pessoa parasitada tem uma alimentação deficiente em vitaminas.

Mas o agravo mais comum da pediculose é mesmo a coceira na cabeça! De tanto se coçar, a pessoa acaba ferindo o couro cabeludo, o que o deixa vulnerável às infecções por fungos e bactérias. A coceira pode também afetar o sono e interferir no bom rendimento escolar.

Ao contrário do que muitos pensam, os piolhos não afetam apenas ao homem, mas também diferentes animais, como aves, cães, gatos e bois. Sorte nossa é que os piolhos de outros animais não infestam seres humanos e vice-versa. Caso contrário, seria muito difícil controlar uma epidemia

Existem três espécies de piolhos que afetam os homens: o piolho da cabeça (Pediulus capitis), que habita a cabeça e prende seus ovos na base dos cabelos; o piolho do corpo ou muquirana (Pediculus humanus), que encontrado nos pelos do corpo e cola seus ovos às fibras das roupas; e o piolho do púbis ou chato (Pthirus púbis), que é a menor espécie, encontrada preferencialmente na região pubiana e perineal.

Para se ter certeza de que há piolhos na cabeça, basta olhar o pescoço. Logo nas primeiras horas de infestação, a pele próxima à nuca fica irritada. Se o local estiver avermelhado ou com bolhas d´água, o diagnóstico é positivo. Com isso, será preciso catar um por um, sem esquecer de usar o pente-fino, para assegurar a retirada de todas as lêndeas, ninfas e adultos. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicamentos específicos para pediculose, mas isso deve ser feito com orientação médica.

A infestação dessas pragas está diretamente ligada ao contato direto com alguém infestado ou ao uso coletivo de objetos, como pente, prendedores, travesseiros, etc. Por isso, é importante lavar frequentemente o cabelo e não compartilhar escovas e outros objetos pessoais com ninguém. No entanto, não basta apenas utilizar água, porque os piolhos não morrem afogados – suas aberturas respiratórias se fecham quando se molham e voltam a se abrir passado o perigo. Tampouco adianta cuidar da cabeça se outras pessoas não fizerem o mesmo, porque o piolho continuará sendo transmitido!

Assim, é bom ficar claro que uma coisa: é dever de todos lutar para que esses parasitos deixem de sugar o homem!

Mais informações, visite o Disque Piolho

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