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Viajando com Oswaldo

Por: Daniele Souza

Capa de um jornal de Amazonas em 1910

Capa de um jornal de Amazonas em 1910

Viajar pelo interior do país, pesquisar, descobrir sobre doenças. Desde que o Instituto de Manguinhos foi criado, em 1900, associou-se a ações promovidas pelo Estado,  enviando pesquisadores para identificar e solucionar problemas sanitários pelo Brasil.
 
Pense em um local sujo. Mau cheiro. Carcaças de animais, vísceras, abandonadas, apodrecendo pelas ruas. Operários com várias doenças: febre amarela, sarampo, disenteria bacilar, entre outras. Estar doente, infectado, representava a normalidade. Este foi o quadro encontrado por Oswaldo Cruz em sua expedição à Amazônia, em 1910, durante a tentativa de prosseguimento de construção da Via Férrea Madeira-Mamoré.
 
A insalubridade acabava afastando os trabalhadores brasileiros, tranformando a linha férrea, nas palavras de Oswaldo Cruz, em uma verdadeira Babel “Aí tivemos a ocasião de ver operários das seguintes nacionalidades: brazileiros, portuguezes, hespanhoes ( da Hespanha e de quasi todas as republicas hispano-americanas), francezes, inglezes, allemães, austriacos, rumaicos, syrios, italianos, russos, polacos, chins, dinamarqueses, além dos americanos do norte”.
 
A situação era grave na região, como Oswaldo Cruz escreveu, em carta a sua esposa, Emília da Fonseca, conhecida por Miloquinha: “Não imaginas o que é isto aqui! Como  se adoece e como se morre!...”.  A malária atingia índices de morbidade de 90%, entre outras doenças, ‘importadas’ pelos operários.
 
A presença de sanitaristas tornava-se crucial para viabilizar a construção de hidrelétricas e ferrovias pelo interior do país, utilizando a experiência adquirida nas campanhas de saneamento do Rio de Janeiro, então capital da República.
 
Oswaldo Cruz implementou medidas drásticas. Os operários deveriam ser submetidos a cuidados sanitários antes da chegada à ferrovia. Foram construídos galpões para alojamento pessoal e demarcados locais para defecação. A água era fervida e passou a ser exigido o uso de calçados. Iniciaram exames periódicos, além do fornecimento diário de quinino. Os operários que não tomassem quinino eram descontados no salário, mas, se os operários passassem algum tempo sem acessos de malária, recebiam gratificação. E, aos poucos, a ferrovia foi construída.

A história da Ferrovia do Diabo

Cartas de Oswaldo Cruz

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