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Viagem de trem

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Imagine que, para chegar ao seu trabalho, só existisse um trem. Caso perdesse o trem, a única alternativa seria uma caminhada de quatro quilômetros, ou sob um sol escaldante, ou debaixo de uma impiedosa chuva. E, ao chegar, atrasado, um chefe pouco satisfeito lhe lançasse olhares reprovadores. Esta história realmente aconteceu.

Numa conferência realizada em setembro de 1940 ( Oswaldo Cruz e a Escola de Manguinhos ), Henrique de Beaurepaire Aragão, um dos primeiros pesquisadores do então Instituto Soroterápico Federal, relatou a espera dos cientistas pelo trem na estação São Francisco Xavier e muitas outras histórias.

Parada do Amorim - "Chega a hora da partida do comboio de poucos vagões e embarcam todos, formando pequenos grupos pelos bancos, enquanto o Barão de Pedro Affonso se isola, para se por ao corrente das notícias do dia, pela leitura de seu jornal. O pequeno percurso corre rápido entre comentários variados e uma ou outra piada de espírito. Em uns dez minutos, chega-se à parada do Amorim, que serve a Manguinhos. Há três cavalos selados para os mais graduados, seguindo os outros a pé, pelo caminho, que galga suavemente a encosta e leva aos laboratórios não muito distantes. Ao soar do meio dia, suspende-se o labor para o almoço, na estreita varanda da casinha da fazenda. A mesa está posta sobre uma meia porta, que se apoia sobre duas barricas vazias e é coberta parcialmente com uma toalha grosseira havendo dois longos bancos de madeira de cada lado, para os convivas se sentarem. Todos se apressam porque a comida não é muito abundante: uma clássica galinha ensopada com batatas, arroz, pão e, para terminar, algumas bananas e café ralo. Quem se atrasar, só encontra ossos e traços de arroz. Não há motivos para que o repasto seja demorado, e uns 20 minutos depois, já o trabalho recomeça intenso embora os estômagos não estejam muito satisfeitos. Não havia jantar e, quem tivesse de ficar até mais tarde no Instituto, devia trazer seu farnel ou então recorrer aos azares das frutas das matas adjacentes" ( Henrique Aragão ).

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