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Xô, carrapato!

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Característica do meio rural, a febre maculosa ganhou destaque na mídia, depois que o jornalista Roberto Moura e o superintendente da Vigilância Sanitária Municipal do Rio, Fernando Villas-Boas Filho, morreram ao contrair a doença em Itaipava, na região serrana do Rio. Apesar de a febre maculosa ser uma das mais perigosas doenças transmitidas ao homem por carrapatos, existem pelo menos mais três moléstias que vêm sendo registradas nos últimos anos, no Brasil.

Assim como a febre maculosa, estas doenças são zoonoses, o que significa que elas são transmitidas ao homem a partir de animais. Também têm em comum o fato de serem doenças novas e, por este motivo, chamadas pelos pesquisadores de emergentes. Mas quem garante que elas, na verdade, não são velhas desconhecidas da ciência? Serra-Freire, médico-veterinário da Fiocruz que estuda estas zoonoses, explica que apesar de não haver registros médicos anteriores, isto não quer dizer que estas doenças não existiam.

Muitas vezes, principalmente nas áreas rurais, os órgãos de saúde não são notificados, ou seja, avisados sobre a ocorrência de alguma doença. Para Serra-Freire, o desconhecimento médico sobre estas zoonoses também pode ter ajudado a encobrir estas moléstias, além, é claro, da falta de infraestrutura, como, por exemplo, facilidade de acesso a exames laboratoriais.

Mas não é só isso. O pesquisador avalia que, por outro lado, o surgimento destas enfermidades também pode estar relacionado ao movimento crescente do ecoturismo – passeios ecológicos, nos quais as pessoas têm a oportunidade de estar em contato com a natureza, longe da poluição e do barulho da cidade grande. “O homem urbano, possivelmente, tem menos defesas contra determinadas doenças em comparação com o morador do campo”, explica Serra-Freire.

Transmissor e causador de doenças

Carrapato marrom do cão

Carrapato marrom do cão

Ah! Mas você deve estar esperando para saber quais são as doenças com agentes transmitidos por carrapatos. Em primeiro lugar, é preciso que você saiba que os carrapatos são mais do que simples vetores de doenças. Por si só, eles já são causadores da ixodidose, doença provocada pela picada do carrapato. A saliva do artrópode é cheia de elementos tóxicos que irritam a nossa pele. Dependendo da espécie pela qual a pessoa foi picada, observa-se vermelhidão, descamação da pele, febre e, em graus mais avançados, paralisias regionais do corpo, que podem deixar o enfermo sem movimento, em um de seus braços ou perna, por exemplo.

Afora isso, os carrapatos transmitem a doença a seus descendentes. São os principais vetores de doenças animais e perdem apenas para os mosquitos como vetores de doenças humanas. Em todo o mundo, os carrapatos transmitem bactérias, vírus e protozoários que podem desencadear diversas infecções. Podemos dividir as doenças transmitidas por carrapatos da seguinte forma:

• Doenças causadas por vírus – encefalite transmitida por carrapatos, febre hemorrágica do Congo-Crimeia, febre hemorrágica de Omsk, febre transmitida por carrapatos do Colorado, encefalite de Powassan, encefalite Langat, encefalite louping ill.

• Doenças causadas por bactérias – bacilos Gram-negativos (tularemia), erlichias (erlichiose monocítica e erlichiose granulocítica), rickettsias (febres maculosas) e borrélias (doença de Lyme e febre recorrente transmitida por carrapatos).

• Doenças causadas por protozoários – babesiose.

No Brasil, segundo Serra Freire, existem 16 espécies de carrapato já registradas parasitando humanos, e todas podem estar relacionadas a algum tipo de doença. Veja, abaixo, as principais doenças encontradas no nosso país e, depois que você tiver lido sobre elas, relembre as dicas de prevenção, na matéria anterior, sobre febre maculosa.

Babesiose Humana   

Doença de Lyme no Brasil ou Borreliose brasileira

Erlichiose humana
 

Veja, ainda, outras doenças transmitidas por carrapatos pelo mundo:

Viroses 

Tularemia

Febre Q

Febre recorrente

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Fontes:

Laboratório de Ixodides, Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro <nmsf@ioc.fiocruz.br>

G.S. Gazeta; R.W. Carvalho; R.F. Avelar; M. Amorim; A.E. Aboud-Dutra. Ocorrência de Babesia sp em pequenos roedores no Brasil; Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.56 no.6 Belo Horizonte Dec. 2004

Rey, Luís. Parasitologia: Parasitos e doenças parasitárias do homem nas Américas e na África. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan S.A., 2001.

http://memorias.ioc.fiocruz.br/983/4654.html

http://www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_frame.asp?cod_noticia=996

http://www.praticahospitalar.com.br/pratica%2031/paginas/materia%2003-31.html

http://www.cdc.gov/

http://www.mass.gov/dph/cdc/factsheets/portuguese/tularemia_pt.doc

http://www.mass.gov/dph/cdc/factsheets/tularemia.htm

http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/000675.htm

 

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