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Vírus influenza na natureza

Por: Juliana Rocha

Você certamente já ouviu diversas vezes que determinado vírus causa uma dada doença ou que se a tal bactéria estiver em seu organismo, pronto: é hora de procurar um médico! Mas tanto os vírus como as bactérias podem estar presentes nos corpos de muitos animais – inclusive no nosso corpo humano – sem causar complicações.

A relação ecológica duradoura que se estabelece entre indivíduos de espécies diferentes e gera algum grau de dependência entre suas atividades de transformação de nutrientes é chamada de parasitismo. Essa relação pode ou não levar à doença: enquanto algumas amebas como a Pentarichomonas hominis e a Trypanosoma rangeli habitam o intestino humano sem que nos apercebamos disso, os vírus influenza causam gripe.

Cada um dos três tipos de vírus causadores da gripe é capaz de parasitar e causar graus diferentes de dano em espécies distintas. O FLU C já foi descrito em homens e porcos. Por estar há muito tempo entre nós, este tipo de vírus adaptou-se ao nosso organismo, tanto quanto o nosso próprio corpo se adaptou a ele. Assim não desenvolvemos infecções graves quando parasitados pelo FLU C. O FLU B é encontrado tanto em homens, como em focas. Já o FLU A é encontrado em homens e em algumas aves silvestres, como as andorinhas (Progne subis, Hirundo rustica, Hirundo pyrronota e Dendroica striata), o falcão peregrino (Falco peregrinus), a avoante (Zenaida auricelata) e o marrecão (Neta peposaca), provocando, nas aves, quando muito, infecções brandas e sendo para o homem uma grande ameaça à saúde.

Nem todas as variantes do FLU A que vivem nas aves são capazes de parasitar seres humanos. Entre as 144 variantes aviárias, até agora apenas três parasitam também o homem.

O mecanismo pelo qual os vírus influenza aviários se tornam capazes de infectar seres humanos é conhecido como rearranjo gênico (antigenic shift, em inglês). Os detalhes desse mecanismo ainda estão sendo pesquisados, mas a teoria mais aceita afirma que uma infecção conjunta em criações domésticas de frangos e porcos por uma variante humana e uma variante aviária permite uma reorganização da estrutura viral e faz com que a variante até então só capaz de parasitar aves silvestres possa também contaminar o homem. Existem evidências de que a variante viral H3N2, que causou a pandemia de 1968 – também conhecida como gripe de Hong Kong –, tenha surgido desta maneira.

Como as aves silvestres parasitadas pelo FLU A são espécies migratórias, as novas variantes conseguem se espalhar por diferentes continentes gerando pandemias – epidemias de grande dimensão que acontecem ao mesmo tempo em diferentes regiões ou países.

Rotas migratórias pela América. CEMAVE/IBAMA.

Rotas migratórias pela América. CEMAVE/IBAMA.

O Brasil está na rota de 163 espécies migratórias. Em pelo menos sete delas já foram registradas variantes do FLU A capazes de provocar doenças em seres humanos. Para controlar tanto a entrada de novas variantes virais do FLU A, como a de agentes infecciosos de outras doenças, o Centro Nacional de Pesquisa para a Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE), em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o Instituto Evandro Chagas e o Instituto Adolpho Lutz, desenvolve pesquisas e monitoramento no Parque Nacional Lagoa do Peixe (RS), nas Reentrâncias Maranhenses (MA), na Coroa do Avião (PE) e na Costa do Amapá – principais áreas de pouso dessas aves.

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