Aumentar tamanho da letra  Reverter ao tamanho original Diminuir tamanho da letra  english español

Cozido vivo? Eu não!

Por: Juliana Rocha

Ilustração: Sergio Magalhães

Ilustração: Sergio Magalhães

Janeiro chegou e com ele também vieram as férias escolares e o verão. Com certeza aquela ida à praia está entre os seus planos para aproveitar esta época do ano, não é mesmo? Pois é preciso redobrar os cuidados para não acabar no hospital por conta de abusos do sol e do calor.

Um mal corriqueiro durante a estação mais quente do ano é a insolação. A insolação é provocada pela exposição prolongada e sem proteção aos raios solares, especialmente a dois tipos deles, os infravermelhos e os ultra-violetas. Mais intensos entre 10h e 16h, estes raios são responsáveis, respectivamente, pelo aumento da temperatura do dia – ou seja, pelo calor – e pelo bronzeamento da pele.

Quando uma pessoa fica muito tempo exposta ao sol, células de sua pele são destruídas gerando queimaduras e desidratação. A situação fica mais séria com o suor e a respiração ofegante, que aumentam a perda de água pelo organismo. Aí surgem os sintomas característicos da insolação: pele seca e avermelhada, muita sede, dores de cabeça, falta de ar, tonturas, vertigens, mal-estar, aumento da temperatura do corpo e vômitos.

O que fazer quando se está prestes a ser cozido vivo? Aos primeiros sinais de insolação, deve-se procurar um local arejado e longe do sol e ingerir água, sucos de frutas e soro caseiro. Para baixar a temperatura do corpo, pode-se tomar banhos frios ou aplicar toalhas úmidas sobre a pele. Apesar de simples, esses cuidados são essenciais para reequilibrar o organismo, evitando que os sintomas se agravem e que seja preciso a reidratação intravenosa em um hospital.

O uso de cremes hidratantes diminui a ardência e a vermelhidão provocadas pelas queimaduras solares leves. Mas no caso de queimaduras graves – aquelas que apresentam bolhas –, é necessário procurar um médico para o tratamento.

Verão sem sufoco

Para desfrutar dos prazeres do verão sem passar por nenhum sufoco, é bom beber muita água e sucos de frutas, frequentar a praia somente antes das 10h ou depois das 16h e aplicar protetor com fator de proteção solar (FPS) adequado a sua pele.

Você sabe qual o protetor solar correto para a sua pele? Para escolher qual o melhor FPS para você, leve em consideração seu histórico de bronzeamento e queimaduras solares. Pessoas com pele mais escura, que se bronzeiam com facilidade e raramente se queimam, podem escolher protetores solares com FPS entre oito e 15. Já aquelas pessoas com pele mais clara – que se bronzeiam pouco e frequentemente apresentam queimaduras – devem usar protetores com FPS superior a 15.

Como as crianças têm a pele mais sensível – quando pequenos, temos mais água em nosso corpo e transpiramos mais, o que facilita a desidratação –, o FPS a ser usado deve ser sempre superior a 15. A regra da cor da pele continua valendo: crianças com pele mais escura podem usar protetores solares com FPS 15 ou 20, enquanto nas com pele mais clara devem ser aplicados protetores com FPS igual a 30.

Mas não pense que por estar com protetor você pode aumentar seu tempo de exposição ao sol ou ir à praia em pleno meio-dia. Os protetores solares protegem contra os raios ultra-violetas, mas não são capazes de bloquear a radiação infravermelha.

Também não vale deixar para lá o protetor solar só porque planeja ficar debaixo da barraca de praia: a água e a areia são superfícies refletoras de luz, então, mesmo sob a sombra, você estará sofrendo a ação dos raios solares. Assim é muito importante seguir todas as recomendações – do uso do protetor solar ao horário recomendado de ida à praia – para não correr nenhum risco.

Os efeitos nocivos do excesso de sol são cumulativos, isto é, somam-se ao passar do tempo, e vão muito além do desconforto momentâneo da insolação. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), as pessoas que se expõem de forma prolongada e constante ao sol, seja por atividade profissional ou por lazer, constituem o grupo com maior risco de desenvolver câncer de pele. No Brasil, este tipo de câncer é o mais comum, sendo responsável por 25% dos casos de tumores diagnosticados.

Os descuidos durante o verão podem trazer ainda outros incômodos, como, por exemplo, diferentes tipos de micoses. Portanto, busque informações e se cuide para poder aproveitar bastante a estação!

Agradecimentos: Almiro da Cruz Filho, pediatra do IFF/Fiocruz.

Fontes de Informações:

Instituto Nacional do Câncer (INCA)

versão para impressão: versão para impressão