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Terra dos Papagaios

Por: Maria Ramos

Reprodução parcial de mapa elaborado por Cantino (1502)

Reprodução parcial de mapa elaborado por Cantino (1502)

O Brasil é o país mais rico do mundo em psitacídeos, animais que pertencem à família Psittacidae, como araras, papagaios, periquitos e maritacas. Tanto que, durante algum tempo, chegou a ser conhecido como Terra dos Papagaios pelos europeus.

Existem 12 espécies de papagaios nacionais, todas pertencentes ao gênero Amazonas. A espécie mais comum no País é o papagaio-verdadeiro, encontrado do Piauí ao Rio Grande do Sul. Outra espécie muito comum é o curica, ou papagaio-do-mangue (A. amazonica), que ocorre nos Estados de Mato Grosso, Goiás e Espírito Santo.

Os papagaios vivem, em média, 20 anos. Em cativeiro, entretanto, podem chegar a 60 anos de idade. Possuem um corpo pequeno, com pescoço, asas e pernas curtas. As espécies brasileiras têm o verde como cor principal das penas. São bons voadores e muito hábeis, graças à utilização que fazem dos pés e do bico.

O bico, curvo e forte, é capaz de quebrar sementes bem duras. A língua, grossa e sensível, permite detectar com facilidade os sabores, ao mesmo tempo em que ajuda a manipular o alimento na boca. Os papagaios possuem ainda um papo, onde podem armazenar por horas o alimento que será dado ao filhote.

Por terem dois dedos para frente e dois para trás nas patas, os papagaios são chamados de zigodáctilos. Essa característica dá a eles maior firmeza para se equilibrar numa pata, enquanto leva o alimento à boca com a outra. 

A sua dieta, na natureza, é variada, sendo composta por frutos, sementes, brotos, flores e, eventualmente, insetos. As sementes de palmito são utilizadas como alimento na Mata Atlântica. A alimentação ocorre principalmente nas primeiras horas do dia e no fim da tarde.

Curiosos e brincalhões

Os papagaios são aves muito curiosas e brincalhonas. Adoram tomar banho de chuva. Na natureza, vivem em bandos, podendo separar-se em casais na época de reprodução. Macho e fêmea, mesmo em grupo, costumam voar tão juntos um do outro, que quem está embaixo tem a impressão de ver uma grande ave de quatro asas.

Papagaio-charão. Foto: MMA

Papagaio-charão. Foto: MMA

A maturidade sexual é alcançada entre quatro e seis anos de idade, mas somente o veterinário pode identificar o sexo da ave por meio de exames de laboratório. Não é possível distinguir o sexo dos papagaios observando apenas suas características físicas.

Espertos, os papagaios precisam de muita atividade ou, do contrário, ficam entediados, podendo apresentar comportamentos anormais, como obsessão por arrancar suas próprias penas, automutilação, agressividade, gritos excessivos e depressão.

Quando criados em cativeiros, os papagaios precisam de muita atenção do dono e de novidades para que não desenvolvam problemas psicológicos. O ideal é deixá-lo com pelo menos com um companheiro da mesma espécie. Afinal, não podemos esquecer que, na natureza, esses animais vivem em grupo. Existem também alguns brinquedos específicos para papagaios em lojas de animais.

É muito importante também oferecer ao papagaio uma alimentação balanceada. É comum vermos pessoas darem apenas sementes de girassol, doces ou frutas, o que obviamente não supre as necessidades nutritivas da ave. Uma alimentação correta deve ser diversificada e incluir alimentos frescos: legumes semicozidos (feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico), milho, verduras, brotos, frutas (tomate, mamão, maçã, frutas cítricas, frutas de época), cereais, proteína de soja, óleos vegetais, sementes de boa qualidade e em pequena quantidade (girassol, castanhas), e proteína animal (queijo magro, ovo cozido). É possível ainda optar pelas rações balanceadas para psitacídeos, que vêm prontas para uso.

Para adquirir um papagaio, é preciso procurar criadouros registrados junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), visto que os animais silvestres são protegidos pela legislação brasileira. Lojas e feiras-livres que vendem papagaios sem autorização do IBAMA cometem crime, e devem ser denunciadas. Estima-se que de cada 10 aves retiradas ilegalmente da natureza, apenas uma sobreviva.

Para denunciar ou obter outras informações, ligue para a Linha Verde do IBAMA: 0800 61 8080.

Ilustração

Biblioteca Estense Universitaria Modena

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