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Tá na hora de dormir!

Por: Maria Ramos

Seria bem melhor que nós não precisássemos dormir, não é mesmo? Quanta coisa poderíamos fazer! Haveria mais tempo para brincar, passear e aprender, certo?

Não, errado! A princípio o sono pode até parecer perda de tempo, mas ele é extremamente importante. Ao que parece, não só o homem, mas grande parte dos animais vertebrados, ou seja, que possuem coluna vertebral, dorme. Os cientistas ainda não chegaram a um consenso sobre o motivo de precisarmos dormir, mas existem várias teorias que tentam explicar a necessidade do sono.

O sono permite que ocorram mudanças importantes no nosso organismo, essenciais para a manutenção da saúde e do bem-estar. Ele parece ter um papel importante na restauração do corpo, neutralizando toxinas que provocam a sensação de cansaço, na organização da memória, além de conservar energia para a realização das atividades diárias.

A verdade é que nós não podemos viver sem dormir. Acha exagero? Não é não. O sono é tão imprescindível que a falta dele pode nos deixar doentes e, em casos mais graves, levar à morte. Alguns hormônios, como a prolactina, que auxilia a produção de leite materno e a combater doenças, só são secretados à noite e durante o sono.

Os riscos de seguidas noites mal-dormidas

O sono normal se caracteriza por reduções da temperatura do corpo, da pressão arterial, do ritmo da respiração e da maioria das funções corporais vitais. Ele é um estado de repouso físico e mental, facilmente reversível, em que a pessoa se torna relativamente inativa e desatenta ao ambiente em que está. É um afastamento parcial do mundo em que os estímulos externos quase não são percebidos pelos sentidos.

O sono é controlado pelo comportamento individual e por sistemas fisiológicos internos, como o relógio biológico localizado no cérebro. Ele é chamado assim porque realmente funciona como um relógio inteligente regulado pela luz do dia ou escuridão da noite, controlando diferentes funções do organismo, como níveis de hormônios, temperatura do corpo, batimentos cardíacos e padrões de sono.

Na maioria das vezes, o relógio biológico funciona afinado com o relógio de verdade. Os adultos necessitam de 8 horas de sono aproximadamente, enquanto crianças em idade escolar precisam dormir cerca de 12 horas por dia. Quando as pessoas têm por hábito trabalhar, estudar ou fazer outras atividades até de madrugada, elas deixam o relógio biológico em descompasso com o relógio físico, o que pode ocasionar problemas para a saúde. 

Nos adolescentes, é comum acontecer esse descompasso devido a mudanças naturais no seu relógio biológico que fazem com que eles tenham facilidade para ficarem acordados até tarde. Mas, ainda assim, eles precisam em média de 9 horas e meia de sono por dia.

Já os idosos, muitas vezes, apresentam dificuldades para dormir à noite devido ao hábito de tirar cochilos ao longo do dia. A minha avó, por exemplo, quando assistíamos a filmes, costumava dormir no meio da história e acordar só no final. Depois, garantia que tinha visto o filme inteiro! “Foi só um cochilo”, ela dizia.

A sonolência diurna pode ser consequência de problemas de saúde, mudanças normais do corpo ou alterações no estilo de vida, como redução das atividades diárias. Estágios de sono profundo em pessoas idosas podem diminuir muito e até mesmo deixarem de existir, mas o tempo necessário de sono não diminui com a idade.

A carência de sono pode provocar fortes impactos no aprendizado, na memória, no raciocínio, na atenção e até mesmo nas emoções. Pode levar também a acidentes de trabalho e de trânsito. A Administração Nacional de Segurança nas Estradas dos Estados Unidos estima que ocorrem a cada ano, neste país, mais de 100 mil acidentes de automóveis devido a motoristas que adormecem ao volante. No Brasil, a Organização Não-Governamental (ONG) SOS Estradas estima que o cansaço seja responsável por 20% dos acidentes e mais de 30% das 24 mil mortes que ocorrem todos os anos nas rodovias brasileiras.

Sem tirar nem um cochilo sequer

Fontes de informações:

Sleep Foundation

Instituto do Sono

O cérebro nosso de cada dia

Ilustrações: Barbara Mello

Animações: Adriana Rivas

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