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Cuidado: cachorro louco

Por: Maria Ramos

Você sabia que agosto é conhecido como o mês do cachorro louco? Dizem que, nesse mês, é comum os cães pegarem uma doença terrível, a raiva, que deixa vários animais, inclusive gatos, cavalos, bois, morcegos e até gente, doidinhos da silva! É verdade que não existe comprovação científica, mas alguns veterinários acreditam que a raiva realmente possa se espalhar mais facilmente nesse período por causa da maior quantidade de cadelas no cio. Na disputa pelo “amor” das cadelas, os cães acabam brigando, aumentando, assim, as chances de transmissão da doença.

Mas não pense que a raiva é transmitida somente nesse mês. Ela pode acontecer em qualquer época do ano. Por isso, os seus animais devem estar sempre com a vacina em dia. Aproveite a campanha de vacinação de cães e gatos, que acontece todo ano. Procure saber quando ela ocorre no seu município. Normalmente é entre os meses de agosto e setembro. A vacina é gratuita, portanto não deixe de levar o seu animalzinho! Para ficar imune à raiva, ele precisa ser vacinado anualmente.

Raiva: uma doença fatal

A raiva é uma doença infecciosa, aguda e mortal, transmitida entre mamíferos, inclusive ao homem, geralmente por mordida, arranhão ou lambida de um animal infectado. Ela é causada por vírus pertencentes à família Rhabdoviridae (do grego rhábdos, “vara”, “bastão”), do gênero Lyssavirus (em grego, Lyssa, “loucura”). Esses vírus estão presentes na saliva dos doentes e podem penetrar no organismo pela mucosa, como a da parte interna da boca, ou pela pele, através de corte ou ferida.

Ilustração: Barbara Mello

Ilustração: Barbara Mello

Tanto no homem quanto nos animais, a raiva é fatal em todos os casos – depois que surgem os sinais da doença, não há mais como reverter o quadro e a morte é certa. Daí a importância de vacinar, anualmente, os animais domésticos a partir de 45 dias de vida. A vacinação humana como medida preventiva só é indicada em caso de profissões de alto-risco, como veterinários, porque, além de a vacina ser muito cara, existe o risco de efeitos colaterais.

Phyllis Romijn, médica-veterinária da Coordenação de Vigilância Ambiental em Saúde do Estado do Rio de Janeiro, orienta que as pessoas também “respeitem o espaço dos animais”, ou seja, não se aproximem demais, principalmente, de cães e gatos desconhecidos e mamíferos silvestres, que podem transmitir a doença.

Mas se uma pessoa é mordida ou entra em contato com algum animal suspeito de raiva, ela deve procurar imediatamente um posto de saúde. Dependendo do caso, o médico poderá indicar a aplicação de vacina e anticorpos antirraiva. “Evitar que a doença se instale é a única forma de não ser acometido pela enfermidade”, explica Romjin, que é especialista em raiva. A boa notícia é que não é mais preciso tomar aquela quantidade enorme de injeções na barriga, como acontecia antigamente: “As medidas preventivas já evoluíram bastante”, acrescenta.

Eliminada em alguns países desenvolvidos, a raiva ainda faz vítimas no Brasil. Dados do Ministério da Saúde revelam que o número de casos de raiva humana, no país, tem aumentado nos últimos anos. Em 1980, tinham sido notificados 173 casos e, desde então, o índice vinha caindo, até baixar em 2001 para apenas dez. Em 2005, no entanto, o número subiu para 44.
 
Atualmente, surtos de raiva na América Latina também tem preocupado autoridades e a população em geral. Somente em Santa Cruz, na Bolívia, foram identificados mais de 500 focos da doença desde o início de 2006.

Há pouco tempo, um menininho boliviano morreu de raiva, depois de ser mordido pelo seu próprio cachorro. Ao invés de observar o comportamento do animal, a família deu o cão. Passado um certo período, ele apresentou os sintomas mais tristes da doença: atacou e mordeu o pescoço de um coleguinha numa brincadeira. O amigo, porém, foi vacinado e se salvou.

Principais transmissores

Ilustração: Barbara Mello

Ilustração: Barbara Mello

O cão e o gato são os principais transmissores da raiva para o homem nos ambientes urbanos. Mas todos os mamíferos, inclusive os silvestres, podem contrair a raiva, sendo, portanto, potenciais transmissores da doença.

“Muitas pessoas de áreas rurais brincam ou até mesmo abrigam animais silvestres em sua casa, o que é proibido por lei, sem saber dos riscos que correm de contrair a enfermidade”, alerta a veterinária Romijn. “Na região nordeste do Brasil, tem-se o hábito de adotar saguis como animais domésticos, e já houve vários casos de pessoas que adquiriram a doença desses animais”, completa a especialista. Macacos, micos, gambás, raposas e roedores silvestres são outros exemplos de animais selvagens que podem transmitir a doença.

O morcego vampiro ou hematófago (que se alimenta de sangue) da espécie Desmodus rotundus é também um importante transmissor da raiva, infectando bois, cavalos, morcegos de demais espécies, outros animais e até mesmo pessoas. Romijn explica que desequilíbrios ecológicos provocados pelo homem, com a redução do número de predadores naturais, como cobras, corujas e gaviões, somados ao aumento da disponibilidade de abrigo e alimento, têm levado ao crescimento das populações de morcegos. “A consequência é que tem crescido o número de ataques”, explica.

Mas não vai, agora, achar que os morcegos vampiros são como os dos filmes de terror, procurando a sua próxima vítima humana. Por outro lado, também é verdade que, se você entrar em grutas ou dormir com a janela aberta ou ao ar livre, em locais onde é sabida a existência de muitos morcegos, as chances de você ser atacado aumentam bastante.

Esses mamíferos voadores possuem dentes muito afiados e, na maior parte das vezes, a vítima nem percebe que foi mordida. O corte costuma sangrar por mais de 12 horas porque na saliva deles existe uma substância anticoagulante, que não deixa o ferimento cicatrizar com facilidade.

Caso você seja mordido por um morcego, lave o ferimento com água e sabão e procure imediatamente atendimento médico em um hospital ou posto de saúde. A mesma coisa você deve fazer se for agredido por um mamífero silvestre ou doméstico desconhecido ou que não esteja com as vacinas em dia.

Se o animal estiver com sinais da raiva, ele terá de ser morto por um veterinário e sua cabeça enviada para diagnóstico laboratorial. Se for o seu próprio animal de estimação, será necessário deixá-lo por observação durante dez dias, em local isolado, para ter certeza de que ele não está raivoso. Mas em todo caso, não deixe de ir ao médico. Só ele pode dar as orientações necessárias. Lembre-se: a raiva é fatal!

Para mais esclarecimentos, entre em contato com o Centro de Controle de Zoonoses da sua região.

Como reconhecer a raiva

Como lidar com os morcegos

Fontes de informações:

Ministério da Saúde

Agência Fiocruz de Notícias

Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde

CDC

Instituto Pasteur

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