Publicada em: 06/01/2003 às 20:08
Saúde


Amebíase
Miguel de Oliveira

Cisto. Foto: Dr.George Healy/CDC

Cisto. Foto: Dr.George Healy/CDC

Algumas amebas, como a Entamoeba histolytica, podem causar doenças no homem. Ela faz parte de um grupo maior de amebas, da família Endamoebidae, que são parasitas comuns da nossa espécie. Elas vivem no nosso aparelho digestivo ou infectam tecidos, são pequenas e têm a capacidade de formar cistos, que são uma forma resistente às condições desfavoráveis do ambiente.

A Entamoeba histolytica geralmente convive bem com nossa espécie, não causando problemas. Por isso ela é colocada no grupo das Endamoebas, que significa amebas interiores, geralmente encontradas no interior de animais vertebrados. Mas em determinadas condições ela se torna patogênica: começa a engolir ou fagocitar células do nosso organismo (como as hemácias), ou começa a invadir órgãos e tecidos, como o fígado ou o intestino. É só então que ela causa a doença.

Saneamento

A amebíase pode provocar de uma simples disenteria (diarreia) até o comprometimento de algum órgão ou tecido. Ela ocorre em todo o mundo e geralmente está associada a condições econômica e de higiene precárias. Por que? Pelo simples fato de que só se pega amebíase ingerindo cistos que contaminam a água e os alimentos.

Mas como estes cistos vão parar na água, contaminando-a? Como parasita intestinal obrigatório do homem, só há um meio de fazê-lo: pelas fezes. Quando o saneamento básico e as condições de higiene das populações são precárias, a possibilidade de contaminação das águas por fezes humanas aumenta. Esta mesma água poderá ser utilizada, rio abaixo, para a irrigação de hortaliças e frutas ou mesmo para o consumo humano direto. Você conseguiu visualizar o ciclo todo?

Para piorar o quadro, os cistos que vão contaminar o ambiente ainda por cima são resistentes! Eles duram em média 30 dias na água, 12 dias em fezes frescas, 24 horas em pães e bolos e 20 horas em laticínios (produtos derivados do leite)!

Mas felizmente podemos quebrar esta cadeia de transmissão: basta que possamos assegurar condições mínimas de saneamento básico às populações e proporcionar a elas água tratada, já que o cloro adicionado nas estações de tratamento mata os cistos desta e de outras amebas. Além disso, devemos possuir, em nosso ambiente, hábitos de higiene como:

Foto: Arlington County/Flickr

Foto: Arlington County/Flickr

• lavar bem as mãos antes e após as refeições;

• lavar bem frutas e hortaliças e deixá-las de molho em uma solução de água com água sanitária (1 colher de sopa de água sanitária de boa qualidade para cada litro de água);

• ferver (por pelo menos 20 minutos) e filtrar águas de poço ou rios antes de bebê-las;

• evitar o contato direto e indireto com fezes humanas (use luvas!).

No caso de uma infecção já adquirida, existe tratamento eficiente com antiparasitários, que podem custar caro e provocam efeitos colaterais, como vertigens ou erupções da pele. Por isso, o melhor mesmo é prevenir a infecção!

Existem também outras amebas que parasitam o homem, mas que com ele convivem normalmente, sem causar doença, como Endolimax nana e Iodameba butschlii.

Algumas espécies de vida livre podem, eventualmente, ser patogênicas para o homem, como as amebas dos gêneros Hartmannella, Acanthameba e Naegleria, produzindo casos de infecção das meninges (meningoencefalite humana) e podendo levar à morte, ou produzindo lesões da córnea (camada protetora dos olhos).

Bibliografia:


Rey, Luis.Amebas parasitas do homem In Parasitologia. Rio de Janeiro, 2001.Ed Guanabara Koogan.

Rodrigo Siqueira Batista, Andréia Patrícia Gomes, Sávio S.Santos et al, 2003. Amebíase In Manual de infectologia, Rio de Janeiro, Ed.Revinter.

 


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