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A origem do doce quase sem fim

Por: Denise Moraes

Toca o sinal. Fim da aula. Na porta da escola você passa pela banquinha de doces. E lá está o seu preferido: o chiclete. Que tentação! Você vai ao cinema. Na lanchonete escolhe pipoca, refrigerante e... chiclete. Em embalagens chamativas, de várias formas, cores e sabores. Também chamado de goma de mascar, o chiclete é campeão de vendas no Brasil: são cerca de 18 milhões deles vendidos por dia. Você imagina do que é feito o chiclete? Aliás, você já se perguntou como, quando e onde surgiu o chiclete?

Resina do Mástiche. Foto: Wikipedia

Resina do Mástiche. Foto: Wikipedia

Ele é bem, bem mais velho do que se pensa. Alguns estudiosos, fazendo pesquisas em lugares onde viveram povos antigos, descobriram que eles mascavam uma espécie de resina, substância pegajosa que retiravam das árvores. Os gregos já faziam isso há aproximadamente 2.500 anos. Eles extraíam a resina de uma árvore que denominavam Mástiche (Pistacia lentiscus) e mascavam porque acreditavam que a substância podia curar certas doenças. Essa resina também foi popular entre as crianças romanas. Em territórios islâmicos, na Idade Média, a resina era privilégio dos sultões, que a utilizavam para manter o hálito fresco ou como cosmético.  

Mais ou menos na mesma época que os gregos, os maias, habitantes do sul do que hoje conhecemos como México, retiravam seu chiclete do látex de uma árvore que chamavam Sapota (Manilkara zapota), no Brasil conhecida como sapotizeiro. Eles chamavam a goma feita com esse látex de chicle e mascavam para aumentar a produção de saliva e, como os sultões islâmicos, manter a sensação de frescor na boca, o que era muito útil em longas caminhadas.

 Sapota (<EM>Manilkara zapota</EM>) Foto: Wikipedia

Sapota (Manilkara zapota) Foto: Wikipedia

 

Foi um descendente daquela região, o mexicano Antonio López de Santa Anna, que apresentou o chicle ao americano inventor do chiclete como conhecemos hoje. Em 1870, o costume de Antonio de mascar o chicle chamou atenção de Thomas Adams Jr., seu vizinho nos Estados Unidos. Thomas gostava de inventar coisas e tentou usar o látex do Sapoti para fazer máscaras, botes infláveis e pneus de automóveis. Mas todas essas tentativas falharam.

Um dia Thomas foi à farmácia e viu uma menina comprando goma de parafina para mascar. Ele imaginou que as gomas que seu vizinho Antonio usava eram melhores que aquela de parafina, pois eram mais macias. Então ele teve a ideia: por que não fabricar barrinhas de látex de Sapoti? Voltou para sua casa e começou a preparar o que seria seu primeiro chiclete. Fez uma grande massa de chicle e cortou em pequenos pedaços. Depois levou sua invenção para vender naquela mesma farmácia. E vendeu tudo rapidinho... 

A partir daquele ano, 1872, a produção do senhor Adams não parou de crescer. Aos poucos seus chicletes foram ganhando a aparência que conhecemos hoje: ele foi acrescentando sabor, fazendo em novos formatos, embalando em papéis coloridos. Mas o chiclete ainda continuava sendo feito do látex do sapotizeiro.

Anúncio da década de 1960. Imagem: site Bricabrac

Anúncio da década de 1960. Imagem: site Bricabrac

Somente a partir da metade do século XX, o chiclete deixou de ser parecido com aquele que o senhor Antonio López mascava. Isto porque, com o avanço da indústria e da tecnologia, foi possível desenvolver borrachas sintéticas - feitas em laboratórios e não mais extraídas das árvores -, para substituir o chicle.

Foi nesta época que começou a ser produzido chiclete também aqui, no Brasil. E logo virou mania entre os brasileiros. Alguns passaram a amar. Outros a odiar. E reclamar. Principalmente pais e dentistas. Mas você sabe por que eles mandam você maneirar com o chiclete? Não? Então fique por dentro de como o chiclete pode interferir na sua saúde.

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Sobre Thomas Adams

Consultoria: Miguel de Oliveira, biólogo / Museu da Vida (Fiocruz).

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