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Espionando: No mundo dos fungos

Por: Mario Gatti

<EM>Penicillium sp.</EM>

Penicillium sp.

Para falar do fascinante mundo dos fungos, que tal começarmos pela cozinha? Lembram daquele pequeno cogumelo comestível chamado champignon, cultivado e utilizado no preparo de saborosos pratos da arte culinária. Ah! O estrogonofe. É de dar água na boca.

Pois é, o nome fungo é empregado para designar organismos vivos eucariotas, ou seja, providos de membrana no núcleo da célula, que formam propágulos (esporos), não possuem clorofila e não produzem seu próprio alimento.

Os fungos vivem em diversos ambientes e substratos  de origem animal e vegetal, na forma de sapróbios, excretando enzimas digestivas poderosas e absorvendo matéria orgânica morta, desempenhando assim papel fundamental no ciclo da vida.

Podem crescer pela formação de filamentos chamados hifas, denominados fungos filamentosos, ou ainda por lêvedos no caso das leveduras, que são fungos unicelulares.

Ah! A importância desses seres vivos pertencentes ao Reino Fungi não para por aqui. Destacam-se também pelo grande impacto que causam na economia de todo o mundo, a partir de suas associações com a agricultura, indústria e medicina.

<EM>Saccharomyces cerevisiae</EM>

Saccharomyces cerevisiae

Diversas espécies de fungos são capazes de produzir substâncias úteis: os antibióticos por exemplo, a penicilina, que salvou muitas vidas, elaborados a partir do fungo Penicillium chrysogenum, o ácido cítrico empregado na fabricação de geleias, agentes de fermentação como a levedura Saccharomyces cerevisiae são amplamente usados na fabricação de pães, queijos, vinhos e cervejas.

Entretanto, os fungos podem assumir o papel de grandes vilãos quando causam doenças, as micoses, ao parasitar o homem, animais e também sérios prejuízos na agricultura.

Há fungos microscópicos e outros bem maiores como os grandes cogumelos, aqueles dos desenhos animados, parecidos com guarda-chuvas. O fungo Armillaria bulbosa chega a medir quilômetros de comprimento e metros de diâmetro. Considerado possivelmente  o maior ser vivo, ele vive no subsolo e é produto da fusão sexual de incontáveis filamentos, os micélios.

<EM>Aspergillus</EM>

Aspergillus

Alguns microfungos são capazes de produzir substâncias tóxicas elaboradas, as micotoxinas, que podem causar intoxicações severas com efeitos cancerígenos ao homem e animais quando na ingestão de alimentos e rações contaminados. O caso mais conhecido é o do amendoim contaminado por Aspergillus flavus, produtor de aflatoxinas que podem afetar o fígado.

Hoje, é reconhecida a importância de se limpar adequadamente os filtros de ar condicionados de residências, hospitais, shoppings entre outros, devido ao acúmulo de esporos de fungos que habitam o ar e provocam as alergias ou até fungemias (presença de fungos na corrente sanguínea) em pacientes internados.

Agora que já sabemos um pouco sobre o mundo dos fungos, que tal fazermos uma experiência? Pegue um tomate inteiro, uma laranja, um pedaço de pão. Em seguida, coloque-os separadamente em vidros de maionese ou recipiente parecido. Colocar um chumaço de algodão molhado com água dentro de cada pote. Observar com uma lupa a partir do terceiro dia, durante uma semana. Você poderá ver os fungos crescendo de formas e cores diferentes.
Cuidado, ao terminar a experiência, não esqueça de colocar água sanitária no pote cobrindo o alimento usado, antes de jogar o vidro fora. Atenção, o vidro não deve ser reutilizado.

Mario Gatti é biólogo e micologista (especialista em fungos) do Laboratório de Avaliação e Promoção em Saúde Ambiental, do Departamento de Biologia do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz

Fonte de imagem: Colégio São Francisco

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