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Rotavírus: o grande vilão das crianças

Por: Maria Ramos

Principal causa de diarreia até os cinco anos de idade, o rotavírus é responsável pela morte de cerca de 600 mil crianças por ano em todo o mundo, apesar do tratamento bastante simples, baseado na reidratação do paciente. 

Embora, quase todas as crianças sejam infectadas nos primeiros anos de vida, é até os dois anos de idade que costumam ocorrer os casos mais graves. Irene Araújo, bióloga que trabalha no Laboratório de Referência Regional para Rotaviroses da Fiocruz, explica que a preocupação é maior quando se trata de crianças carentes: “Muitas acabam morrendo devido à falta de informação dos pais sobre a doença e à dificuldade de acesso a atendimento médico”, lamenta.

Os vírus, segundo a pesquisadora, são eliminados em grande quantidade nas fezes do doente. A criança pode se infectar ao levar a mão suja à boca, por contato direto com pessoas, ou ainda por água, alimentos e objetos contaminados. E como existem vários tipos de rotavírus – um gênero de vírus com aspecto de roda que destrói células do intestino -, a criança pode desenvolver a doença mais de uma vez. No entanto, é realmente a primeira infecção que costuma ser a mais grave.

O adulto também pode contrair a rotavirose, mas normalmente desenvolve a forma branda da doença. “Afinal, todo mundo já teve contato com o rotavírus quando criança”, explica a bióloga. O número de casos, segundo ela, costuma ser maior no inverno porque o vírus se propaga mais facilmente no ambiente seco.

Sintomas, tratamento e prevenção

A infecção por rotavírus pode ser assintomática, ou seja, pode não causar sintomas. Mas, em geral, as manifestações costumam aparecer, em média, dentro de três dias, podendo variar de um quadro leve, com diarreia líquida e duração limitada, a um quadro grave com desidratação, febre, vômitos e cólicas. O tempo de duração dos sintomas geralmente é de uma semana. Se não tratada, a rotavirose pode levar à morte.

Para controlar a doença é recomendado ingerir bastante líquido – pode ser água, chá, água-de-coco, sucos ou isotônicos. Quanto mais, melhor! Irene Araújo alerta que medidas simples de combate à desidratação, como o uso de soro caseiro, reduzem drasticamente o número de mortes. A desidratação é o sintoma mais grave das infecções intestinais provocadas pelo rotavírus. Além de reduzir as reservas de água do corpo, ela reduz os níveis de minerais importantes, como sódio e potássio.

A pesquisadora da Fiocruz explica que prevenir a rotavirose entre crianças é difícil, mas é muito importante que os pais mantenham condições adequadas de higiene e, desde cedo, ensinem seus filhos a importância de lavar as mãos, principalmente, depois de ir ao banheiro, e antes das refeições. Um outro aspecto importante é a amamentação dos bebês até, pelo menos, os seis meses para fornecer à criança defesas não só contra o rotavírus, mas também contra outras doenças.

Em breve, estará disponível na rede pública de saúde uma vacina gratuita contra a rotavirose. Mas enquanto ela não chega, não se esqueça: em caso de diarreia, inicie imediatamente o soro caseiro e procure um médico. E não introduza nenhum medicamento sem o conhecimento do seu médico.

Se preferir, faça o diagnóstico no Laboratório de Referência Regional para Rotaviroses da Fiocruz. O telefone para informações é 2598-4491.

Veja como preparar o soro caseiro:

• Pegue um copo de 200 ml de água filtrada e fervida
• Dilua um punhado de açúcar
• E uma pitada de três dedos de sal
Misture e prove. O soro não deve ser nem mais doce e nem mais salgado que água-de-coco ou lágrima. Se você já tiver a colher de medida padrão, use-a desta forma:
 


 

 

 

 

A colher-medida está disponível em todos os Postos de Saúde. É importante ter uma em casa.

Ilustração retirada em:
http://www.saude.rj.gov.br/Guia_sus_cidadao/pg_29.shtml
 

 

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