
Fig 1. Lei de 2025 estabeleceu o projeto que cria a Universidade Federal Indígena do Brasil. Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil
Universidade Federal Indígena (Unind) terá sede em Brasília (DF) e contará com cursos de graduação e pós-graduação
Você já ouviu falar em universidade indígena? O desejo de criar uma instituição de ensino superior brasileira voltada para a formação de indígenas já é antigo. Mas foi em 2025 que a ideia ganhou força, com o Projeto de Lei 6132/2025, que criou a Universidade Federal Indígena (Unind). Em 2026, a iniciativa foi aprovada pela Câmara dos Deputados e ainda segue aguardando aprovação do Senado Federal. A previsão é que as atividades da Unind sejam iniciadas em 2027. Vamos descobrir mais sobre essa universidade!
A Unind é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Seu objetivo é fortalecer e valorizar identidades, culturas, histórias, memórias, artes, saberes e línguas dos povos indígenas, em cooperação com outras instituições de ensino, pesquisa e extensão.
A importância da Unind
A criação da Unind foi uma das pautas discutidas durante a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), maior mobilização indígena do Brasil que acontece anualmente em Brasília (DF) em abril.
Durante o ATL 2026, a sessão que debateu a criação da universidade indígena contou com a participação de diversos representantes do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (FNEEI) e demais profissionais representantes do MEC.
Rita Potyguara, diretora da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil), destacou que “a criação da primeira Universidade Federal Indígena é uma conquista do movimento indígena”.
Giovana Kaingang, secretária Nacional de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas do MPI, lembrou, também durante o ATL 2026, que o processo de criação da Unind envolveu a escuta dos territórios. A proposta foi debatida em seminários realizados em todas as regiões do país. “A nossa universidade indígena foi construída a partir do chão do território, com a participação de todos, dos jovens, das mulheres, lideranças e professores indígenas”, ressaltou.
Já Martinha Guajajara, educadora e atual Coordenadora Executiva do FNEEI, destacou:
— A universidade indígena é indispensável para que os nossos conhecimentos estejam ali registrados por nossas vozes, nossos professores indígenas, nossos anciãos. Para isso, a gente precisa mostrar a força, a necessidade de provar que a educação é a primeira demarcação de território, dos nossos espaços, nossas aldeias e nossas comunidades.
Além da importância para os próprios povos originários, medidas que promovem os saberes tradicionais também são importantes para o bem-estar de outras populações e até mesmo do planeta como um todo. Durante o ATL 2026, Célia Xakriabá, professora, ativista e deputada federal, destacou que os conhecimentos tradicionais são essenciais para lidar com a crise climática.
Dessa forma, a criação da Unind representa um passo importante, com potencial de fortalecer a autonomia dos povos indígenas e garantir a preservação das 274 línguas faladas pelos 305 povos indígenas do Brasil.

Fig 2. Universidade indígena foi um dos temas debatidos durante o ATL 2026. lideranças Crédito: João Ticuna
Como funcionará a universidade
A primeira sede da Unind será instalada em Brasília (DF). A universidade contará com cursos de graduação e de pós-graduação. A ideia é que os cursos oferecidos estejam alinhados com as áreas de interesse dos povos indígenas, com destaque para os temas de gestão ambiental e territorial, políticas públicas, sustentabilidade socioambiental, línguas indígenas, saúde, direito, agroecologia, engenharias e tecnologias e formação de professores.
Quanto ao ingresso na universidade, a instituição poderá adotar processos seletivos próprios.
Também está prevista a construção de moradias universitárias para estudantes e professores, além de espaços de convivência e ambientes para realização de ritos e cerimônias culturais.
Haverá ainda um observatório para acompanhar a permanência, a saúde, moradia e inserção profissional dos estudantes. A medida é especialmente importante, pois, para muitos indígenas, a garantia da permanência na universidade é uma questão essencial, tendo sido inclusive apontada pelos participantes do ATL 2026.

Fig 3. Em debate sobre educação indígena, público apontou necessidade de estratégias voltadas para garantir a permanência de indígenas na universidade. Crédito: João Ticuna
Apenas indígenas poderão estudar na Unind?
A perspectiva do governo é que nos primeiros quatro anos a instituição atenda cerca de 2.800 estudantes. O espaço é voltado de forma prioritária para indígenas, porém a universidade será aberta a todas as pessoas que se interessem pelas temáticas da educação e das culturas indígenas.
Saiba mais:
O que é o Acampamento Terra Livre (ATL)?
Fontes consultadas:
Brasil. Ministério da Educação. Universidade Federal Indígena (Unind). Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/unind. Acesso em: 16 abr 2026.
Por João Ticuna, antropólogo e pesquisador do Museu Nacional MN-UFRJ, com colaboração de Teresa Santos.
Ticuna viajou ao ATL 2026 a convite do Museu da Vida Fiocruz para cobertura do evento. A inciativa fez parte da ação ‘Saúde indígena: trocas de saberes por uma aliança pelo bem viver’, promovida pelo MVF e pela Cátedra Oswaldo Cruz de Ciência, Saúde e Cultura, da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), e integrou o 2º Abril Indígena da Fiocruz. A atividade contou com financiamento da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) da Fiocruz.
Data Publicação: 24/04/2026
- ATL
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