
Fig 1. Ao longo do tempo, pombos-correios foram usados em diversos momentos, por exemplo, para troca de mensagens no Antigo Egito e em comunicações militares no século 19. Crédito: Enrique Alaez Perez/Getty Images
Conheça o antigo sistema de comunicação: o pombo-correio
Se você é fã de Game of Thrones, baseado nos livros As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, deve estar familiarizado com o uso de aves na comunicação. Afinal, com frequência os personagens enviavam corvos com mensagens para se comunicar com outras pessoas que estavam distantes. Neste universo de fantasia, tudo era possível. Mas a situação tem inspiração na vida real, ou melhor, nos pombos-correios.
Os pombos-correios eram muito comuns em uma época em que não existiam celulares, telefones ainda eram escassos e comunicados por escrito dependiam de transporte por longos caminhos para serem entregues. Estas aves são usadas assim desde o ano 3000 a.C., no Antigo Egito.
Os Columba livia, nome científico do pombo-comum, também conhecido como pombo-doméstico ou pombo-das-rochas, faziam este serviço – mesmo sem entender do que se tratava, por puro instinto e sobrevivência.
Mas, afinal de contas, como funciona ou funcionava o sistema de comunicação utilizando pombos-correios?
Conhecendo a espécie Columba livia
O nome Columba vem do latim “columba” ou “columbus” e significa “pombo”. Já livia vem de “livens”, que diz respeito à coloração cinza-azulado.

Fig 2. Um exemplar de Columba livia, com coloração acinzentada e pescoço colorido, e que é encontrado com frequência nas ruas de centros urbanos. Crédito: Luis García/Wikimedia Commons
Mas variantes de Columba livia de outras cores, como aqueles totalmente brancos, também eram utilizados com frequência como pombos-correios.
Hoje em dia, essas aves são comuns em ambientes urbanos no Brasil. Contudo, em alguns países são consideradas espécies exóticas e até raras. Curiosamente, por aqui, o pombo-comum é uma espécie invasora, pois foi trazido ao Brasil durante o período da colonização europeia.
Como o pombo-correio sabe o caminho que deve fazer?
A explicação para a habilidade do pombo-correio de saber para onde ir e como retornar para o ponto de partida envolve alguns aspectos, entre eles, o instinto de “voltar para casa”.
Esse ‘instinto’ ia sendo aprimorado ao longo do tempo. Desde o nascimento, os animais eram criados em um determinado local, que, passava a ser considerado sua casa (ponto A). Mas eles precisavam conhecer também o destino das mensagens! Assim, os animais também eram levados até o destino (ponto B) e lá eram soltos, para que voltassem para casa.
Além de instinto e treinamento, outro aspecto também foi importante para tornar os pombos tão eficientes no sistema de comunicação. Eles têm a capacidade de perceber o campo magnético da Terra, o que acaba funcionando como uma ‘bússola’, orientando-os durante migrações por longas distâncias. Aves migratórias, tubarões e outros animais também possuem essa capacidade.
Assim, o pombo-correio podia viajar com uma pequena mensagem anexada, normalmente em suas patas, trazendo a informação mesmo sem saber ou entender o trabalho importante que estava realizando.

Fig 3. Desenho do século 19 de pombos-correios portando mensagens presas aos membros inferiores. Crédito: Wikimedia Commons/Domínio público
Trocando em miúdos: um pombo-correio sempre volta para sua própria casa. Ele não é treinado para gravar trajetos ou saber endereços. Mas sabe, de forma natural, seu local de origem.
Estima-se que, em geral, pombos possam voar de 30 a 60 km de distância. Há um caso registrado de um pombo que voou até 1600 km, da Espanha ao Brasil, ainda que tenha sido por acidente – a ave, neste caso, se perdeu, segundo reportagem do G1, publicada em 2012.
Usos famosos de pombos-correios
A atual Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fez uso deste tipo de comunicação na primeira metade do século 20. Cientistas da instituição, cujo campus fica localizado na zona norte da cidade do Rio de Janeiro (RJ), utilizavam os pombos-correios para se comunicar com a Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ). A DGSP foi um órgão criado em 1897 e que exercia um papel similar ao atual Ministério da Saúde. Os pombos eram abrigados em pombais.

Fig 4. Na imagem, Pombal no campus Fiocruz Manguinhos (RJ), que foi construído em 1904. Além de abrigar pombos-correios, o prédio já teve outros usos ao longo do tempo, por exemplo, foi um biotério, isto é, local que abrigou pequenos animais que eram utilizados em pesquisa. Em 2026, o prédio ganhou a exposição ‘Pombal: do mangue ao mundo’ e passou a integrar o circuito de visitação do Museu da Vida Fiocruz. Crédito: Peter Ilicciev/Fiocruz Imagens
Além do Pombal da Fiocruz, há outros vários registros de usos famosos de pombos-correios ao longo do tempo.
Talvez um dos mais icônicos seja o pombo conhecido como “Cher Ami” ou “querido amigo”, em francês. Ele salvou a vida de quase 200 soldados do exército dos Estados Unidos (EUA) durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
Cher Ami levou uma mensagem com a localização de um batalhão perdido, salvando-os de uma emboscada de um exército inimigo. Infelizmente, o pombo teve ferimentos graves, perdendo a visão e uma de suas patas, em decorrência do conflito na região por onde cruzou, ao longo de 40 km.

Fig 5. Cher Ami, o heroico pombo-correio da Primeira Guerra Mundial. Créditos: Defense Visual Information Distribution Service/Picryl
Pombos-correios também já foram usados ao longo da história humana para vários tipos de entregas, como no campo da computação e até mesmo para contrabando entre pessoas em cárcere privado.
Apesar de menos comum, ainda hoje há locais e países que fazem uso de pombos-correios. Há produtores e criadores inclusive no Brasil, com um tempo estimado de criação – do nascimento até a fase em que já pode voar – de cerca de 40 dias.
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Fontes consultadas:
Albuquerque, Cristiane. Fiocruz inaugura exposição ‘Pombal: do mangue ao mundo’. Agência Fiocruz de Notícias. Disponível em: https://agencia.fiocruz.br/fiocruz-inaugura-exposicao-pombal-do-mangue-ao-mundo. Publicado em: 23 mar 2026. Acesso em: 24 maio 2026.
Wikiaves. Pombo-doméstico. Disponível em: https://www.wikiaves.com.br/wiki/pombo-domestico. Acesso em: 24 maio 2026.
Pimentel, Samantha. Pombos representam risco à saúde. A União. Disponível em: https://auniao.pb.gov.br/noticias/caderno_diversidade/pombos-representam-risco-a-saude. Publicado em: 20 maio 2024. Acesso em: 24 maio 2026.
Cabral, Danilo. Como o pombo-correio sabe para onde levar a encomenda?. Superinteressante. Disponível em: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-o-pombo-correio-sabe-para-onde-levar-a-encomenda/. Publicado em: 21 ago 2015. Atualizado em 22 fev 2024. Acesso em: 24 maio 2026.
Youtube | Cortes do Manual do Mundo. Como o POMBO CORREIO sabe o ENDEREÇO?. Disponível em: https://www.youtube.com/shorts/UWW40yFXzpo. Publicado em: 6 jan 2025. Acesso em: 24 maio 2026.
Carvalho, Eduardo. Pombo-correio percorre 1.600 km da Espanha até o Brasil. G1. Disponível em: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/03/pombo-correio-que-veio-da-espanha-pousa-em-sao-pedro-e-sao-paulo.html. Publicado em: 6 mar 2012. Acesso em: 24 maio 2026.
Balogh, Diane. Communications history: homing pigeons. OOMA. Disponível em: https://www.ooma.com/blog/communications-history-homing-pigeons/. Publicado em: 16 out 2024. Acesso em: 24 maio 2026.
Globo Rural. Criação de pombo-correio vira negócio lucrativo: preço das aves supera custo em mais de 100%. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/globo-rural/noticia/2025/12/02/criacao-de-pombo-correio-vira-negocio-lucrativo-preco-das-aves-supera-custo-em-mais-de-100percent.ghtml. Publicado em: 2 dez 2025. Acesso em: 24 maio 2026.
Por Felipe Vinha
Data Publicação: 03/06/2026
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