Fig 1. A energia solar, além de sustentável, pode ser uma forma de levar eletricidade para comunidades de forma acessível. Crédito: Acervo Litro de Luz

 

Esse texto é fruto de uma chamada de artigos exclusiva para participantes da “Oficina de Jornalismo de Ciência e Saúde para Comunicadores Populares”, realizada em 19 de agosto de 2023 no Museu da Vida Fiocruz, Rio de Janeiro (RJ).

 

Baterias associadas a painéis solares permitem que haja luz mesmo à noite

Entra verão, sai verão e é sempre a mesma coisa. Em regiões do país onde a infraestrutura e os serviços são mais deficientes, frequentemente essa estação do ano é marcada por períodos de falta de luz. Mas o problema não é exclusividade do Brasil, muito menos do verão. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 730 milhões de pessoas ainda não têm acesso à eletricidade em todo o mundo. Mas sabia que uma das formas de melhorar esse cenário é recorrendo ao Sol? Sim! A energia solar, ou melhor, a energia elétrica gerada a partir da energia solar já vem sendo usada em diferentes regiões brasileiras e está mudando (para melhor!) a vida de muita gente por aí!

 

Energia solar é considerada energia limpa

A energia solar é chamada de energia limpa. Ela recebe esse nome porque é gerada a partir de uma fonte (Sol) que não emite poluentes, diferente do que acontece com a energia gerada a partir de elementos como carvão mineral, petróleo e gás natural. Esses três últimos são exemplos de combustíveis fósseis, isto é, formados a partir da decomposição de seres vivos.

Além de causarem poluição, os combustíveis fósseis são não renováveis, ou seja, não podem ser repostos na natureza, já que levam milhões de anos para serem formados. Mas, ainda assim, continuamos dependente deles. De acordo com a Agência Internacional de Energia, há décadas eles representam cerca de 80% da energia global.

 

Fig 2. Placas solares ocupam menos espaço do que as turbinas de energia eólica, que é gerada pela força do vento e é também outro tipo de energia considerada limpa. Crédito: ulleo/Pixabay

 

Como funciona um painel solar?
O painel solar é responsável por converter a energia do sol em energia elétrica. Isso ocorre porque ele possui componentes (chamadas de células fotovoltaicas), que absorvem a luz do sol e geram energia elétrica. As baterias, por sua vez, armazenam essa energia produzida, o que possibilita que haja luz mesmo em dias nublados ou à noite. Embora a energia solar seja considerada uma energia limpa e renovável, a construção e o descarte de placas solares e baterias também causa impactos ao ambiente.

 

Saiba mais:

Energia Solar-Fotovoltaica

Energia Solar-Térmica

 

Acesso à eletricidade é cidadania

Garantir o acesso a fontes de energia confiáveis, sustentáveis e modernas é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, um plano global que busca tornar o mundo mais sustentável nos próximos anos. Atualmente, apesar dos esforços, a produção de energia limpa ainda não é acessível para muitas pessoas.

A energia solar, de acordo com a pesquisadora e geóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marina Meloni, é a solução para muitas carências. Ela pode tornar possível que cidades e comunidades sejam mais sustentáveis e ainda “contribuir para a erradicação da pobreza, fornecendo a energia elétrica, que é uma necessidade básica”, explica.

Segundo Meloni, a China é um grande destaque mundial no setor devido a incentivos oferecidos pelo governo para que as empresas locais aumentassem sua produção de painéis solares. “Hoje em dia, praticamente o mundo inteiro depende da China para a importação desses painéis. Essa é uma das causas para o sistema de energia solar ser caro”, explica. Ela acrescenta que outros países também se dedicam à produção de energia solar, mas em menor proporção.

 

Fig 3. A ampliação do acesso à energia limpa está no ODS 7 da Agenda 2030, mas também é citada em outras metas do plano global. Crédito: reprodução da ONU Brasil

 

Garrafas PET, canos de plástico e…. energia elétrica

Algumas iniciativas já buscam minimizar o impacto da falta do acesso à energia elétrica em localidades de todo o mundo. Uma delas é a Litro de Luz, uma organização sem fins lucrativos criada nas Filipinas e que, desde 2014, atua também no Brasil. A iniciativa promove a implantação de diferentes soluções para iluminar áreas públicas e também o interior de moradias, utilizando materiais simples como garrafas PET, canos PVC, além de placa solar, bateria e LED.

Nas ruas, a organização instala postes solares. Os lampiões solares são também outra estratégia usada tanto para iluminar ambientes externos quanto internos. Em ambos os casos, há um painel solar e uma bateria.

 

Fig 4. Na imagem, um lampião solar (azul) é usado para iluminar uma moradia. Ele foi desenvolvido usando garrafa PET, painel solar, bateria, lâmpadas LED e cano PVC. Crédito: Acervo Litro de Luz

 

Tempos atrás a organização também trabalhou com um tipo de lâmpada especial: a lâmpada Moser. Essa lâmpada foi criada em 2002 pelo brasileiro Alfredo Moser e foi a inspiração para que o filipino Illac Diaz criasse a Litro de Luz. A lâmpada Moser é construída usando garrafa PET, água e alvejante. Ela ilumina tal qual uma lâmpada de 60 watts. A iluminação ocorre a partir da refração da luz solar, isto é, do desvio da trajetória da luz ao atravessar a garrafa e o líquido no seu interior. Ou seja, não usa eletricidade. Esse dispositivo ainda segue sendo uma inspiração para o trabalho desenvolvido por essa organização.

 

Fig 5. No esquema, vemos como funciona a lâmpada Moser. A garrafa instalada no telhado capta os raios solares e os amplia, tal como um prisma. Assim, a luz é distribuída pelo ambiente de maneira uniforme. Ela permite uma economia importante na conta de luz, mas não funciona à noite. Crédito: MicrovOne e colematt/iStock e Teresa Santos/Invivo

 

O trabalho de montagem e instalação das soluções de iluminação sustentáveis é feito em conjunto com os moradores das comunidades atendidas pelo projeto. “Iluminação é educação, saúde e melhoria de renda, realizar atividades básicas como encontrar um remédio e amamentar”, resume a engenheira civil Tayane Belém, representante da área de parcerias da organização. Mais de 25 mil pessoas já foram impactadas em todo o Brasil pela iniciativa.

 

Fig 6. Na imagem, crianças observam a luz emitida pela lâmpada moser. Crédito: Jamestgurley/Wikimedia Commons

 

Fontes consultadas:

Litro de Luz. https://www.litrodeluz.com/

International Energy Agency (IEA). World Energy Outlook 2022. Disponível em: https://iea.blob.core.windows.net/assets/830fe099-5530-48f2-a7c1-11f35d510983/WorldEnergyOutlook2022.pdf. Acesso: 18 dez 2023

ONU Brasil. Relatório estima que 8% da população não terá acesso à energia em 2030. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/184580-relat%C3%B3rio-estima-que-8-da-popula%C3%A7%C3%A3o-n%C3%A3o-ter%C3%A1-acesso-%C3%A0-energia-em-2030. Acesso: 26 jan 2024

Musitano, Manuela. Energia Solar-Fotovoltaica. Invivo/Museu da Vida Fiocruz. Disponível em: https://www.invivo.fiocruz.br/cienciaetecnologia/energia-solar-fotovoltaica/. Publicação: 29 nov 2021. Acesso: 18 dez 2023

Cavaliere, Irene. A energia que vem dos átomos. Invivo/Museu da Vida Fiocruz. Disponível em: https://www.invivo.fiocruz.br/cienciaetecnologia/a-energia-que-vem-dos-atomos/. Publicação: 29 nov 2021. Acesso: 18 dez 2023

 

Por Lucas Feitoza

Data Publicação: 08/04/2024