Fig 1. Chuva de Meteoros Geminídeas. Crédito: Jeff Dai/ APOD NASA

 

Este texto é uma adaptação da coleção Os Mensageiros das Estrelas, do Museu da Vida Fiocruz. Você pode conferir este e outros conteúdos da coleção no site!

 

Entenda o que é a chuva de meteoros e confira as melhores datas para assistir a este fenômeno astronômico em outubro de 2023

Fenômeno de grande encantamento, as chuvas de meteoros vêm sendo retratadas em diferentes tempos e por diferentes povos. Um dos primeiros registros históricos encontrados na literatura sobre esse fenômeno vem de astrônomos chineses datados de 36 d.C.

Considerado um dos pioneiros nos estudos sobre o fenômeno, o astrônomo estadunidense Denison Olmsted fez importantes descobertas durante uma chuva de meteoros ocorrida em 13 de novembro de 1833.

O evento astronômico despertou a atenção de todos por sua intensidade. A chuva, que mais tarde ganharia o nome de Leônidas, riscou o céu naquele ano com mais de 70 mil “estrelas cadentes” por hora, sendo uma das mais intensas dos últimos séculos!

 

Fig 2. Representação artística da chuva de meteoros Leônidas em 1833. Fonte: Elsevier / M. Littmann.

 

Essa chuva de meteoros foi tão impressionante que gerou relatos como este:

“Cerca de duas da madrugada, fomos chamados pelo choro dos sinais nos céus. Despertamos, e para nosso espanto, todo o firmamento parecia envolvido em esplêndidos fogos […]. Milhares de meteoros brilhantes caíam no espaço em todas as direções, com longos rastros de luz seguindo seus cursos. Isto durou várias horas, e só acabou quando os raios de sol iluminaram o céu […].” – (Elder Parley P. Pratt, 1833, EUA).

Foi durante a observação de Leônidas que o astrônomo Olmsted notou que as “estrelas cadentes” partiam de um mesmo ponto na esfera celeste. A esse ponto de origem foi dado o nome de radiante.

 

Afinal, o que é uma chuva de meteoros?

As chuvas de meteoros são fenômenos astronômicos que ocorrem anualmente e são nomeadas de acordo com a constelação em que está localizado o radiante.

Apesar de serem chamadas de “estrelas cadentes”, o fenômeno das chuvas de meteoros nada tem a ver com as gigantescas esferas (ou algo muito próximo de uma) que realizam fusão nuclear no universo.

 

Mas, se não são estrelas, o que são?

De tempos em tempos, durante o seu caminho ao redor do Sol, a Terra acaba cruzando regiões que contém detritos deixados por um cometa ou um asteroide. Esses detritos, por sua vez, entram na nossa atmosfera em altíssimas velocidades. Eles chegam a atingir marcas superiores a 250.000 Km/h ou 70 Km/s, segundo dados da Organização Internacional de Meteoros (IMO). Devido ao atrito, esse material acaba entrando em ignição, ou seja, pegando fogo.

Os rastros luminosos que vemos são chamados de meteoros! A maior parte é tão pequena que quase sempre se desintegra por completo ainda no céu. Já aqueles que conseguem atingir o nosso solo terrestre recebem o nome de meteoritos.

Para entender melhor as diferenças entre meteoros e meteoritos, assista ao vídeo da websérie “Astronomia em Doses”, do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST):

 

 

Chuvas de meteoros em outubro de 2023!

No final do ano, acontecem muitas chuvas de meteoros. Em outubro, por exemplo, teremos três chuvas de meteoros: Draconidas, Táuridas do Sul e Oriônidas.

A seguir, conheça as particularidades e os melhores dias de observação dessas chuvas.

Dragão: Draconidas ou Draconídeas

Draconídeas são assim chamadas porque o seu ponto de origem (radiante) ocorre na constelação de Dragão. Ela surge no céu quando a Terra cruza o caminho orbital do cometa Giacobini-Zinnerm, observado inicialmente por Michael Giacobini no ano de 1900 e por Ernst Zinner em 1913.

 

Fig 3.  Cometa 21P/Giacobini-Zinner. Moscou, 9 set. 2018. Crédito: Alexander Vasenin. In Wikimedia Commons.

 

Quando vai acontecer em 2023? Entre os dias 6 e 10 de outubro. Seu pico será no dia 7, logo ao entardecer entre os pontos cardeais Noroeste e Norte.

 

Fig 4. Chuva de meteoros do Dragão, entre os pontos cardeais Norte e Noroeste, no horizonte do Rio de Janeiro. Fonte: Stellarium.

 

Chuvas de Meteoros de Touro, as Táuridas do Sul

Essas chuvas de meteoros são assim chamadas porque seu ponto de origem (radiante) ocorre na constelação de Touro ou muito próxima dela, dependendo do dia do ano. Ela surge no céu quando nosso planeta cruza o caminho orbital do Cometa Encke. Esse cometa foi observado inicialmente por Pierre Méchain, em 1786, mas só foi reconhecido como um cometa periódico quando sua órbita foi computada por Johan Franz Encke em 1819.

 

Fig 5. Táuridas do Norte em Peixes, Táuridas do Sul abaixo de Marte e na Constelação da Baleia (nos cascos de Touro) em 10 de outubro, às 20h, no céu do Rio de Janeiro. Fonte: Stellarium

 

Quando vai acontecer em 2023? A aparição das Táuridas do Sul ocorre entre os dias 10 de setembro e 20 de novembro. Entretanto, seu máximo irá ocorrer aproximadamente em 10 de outubro. No dia de seu pico, o radiante das Táuridas do Sul estará na constelação da Baleia, entre os pontos cardeais Leste e Nordeste. Começará a ser vista aproximadamente a partir das 19h20, muito próxima ao ponto cardeal Leste, logo abaixo do planeta Marte.

 

Chuva de Meteoros de Órion: as Oriônidas

E, para fechar o mês de outubro em grande estilo, teremos a chuva de meteoros Oriônidas. Ela ocorre quando a Terra passa pelo rastro de ninguém menos que o famosíssimo Cometa Halley. O mais popular (literalmente um astro!) dos corpos menores do Sistema Solar passou próximo ao nosso planeta pela última vez há 34 anos (1986) e só retornará em 2061!

 

Fig 6. Cometa Halley. 8 de março de 1986. Créditos: W. Liller / NASA.

 

Quando vai acontecer em 2023? A chuva de meteoros Oriônidas vai ocorrer entre 2 de outubro e 7 de novembro.  No dia de seu pico (21/10), Oriônidas surgirá na direção do horizonte leste (entre leste e nordeste) por volta das 22h45min. A localização de seu ponto de origem é a constelação do grande guerreiro mitológico Órion. Para encontrar o radiante de Oriônidas, basta fazer um alinhamento entre as estrelas Rigel, Alnilam e Betelgeuse em direção ao horizonte.

 

Fig 7. As chuvas de meteoros Táuridas do Sul e Oriônidas nas duas constelações vizinhas, próximas ao horizonte
por volta das 23h do dia 21 de outubro. Fonte: Stellarium

 

Dicas para observação das chuvas de meteoros

É importante estar em um local com baixa luminosidade para observar uma chuva de meteoros. Recomenda-se que o observador procure um local escuro (preferencialmente longe de centros urbanos) a fim de evitar a poluição luminosa. Com o tempo bom e longe de luzes ao seu redor, procure realizar a atividade nas madrugadas dos dias de pico. São os melhores momentos para a apreciação do fenômeno astronômico. A atividade não requer o uso de instrumentos, basta apenas estar com os olhos bem atentos em direção ao radiante para não perder o espetáculo. Caso tenha dificuldades para localizar o ponto de origem da chuva de meteoros, faça uso de programas de astronomia que funcionam como mapas celestes em atividades observacionais. Existem vários aplicativos disponíveis no mercado de forma gratuita. É o caso do Stellarium.

 

Referências:

ABREU, W. Fenômenos Extra(Ordinários). In: COLONESE, P. (Org.) Os Mensageiros das Estrelas: Sistema Solar, volume 1, – Rio de Janeiro: Fiocruz – COC, 2020. p. 68-84. Disponível em: <https://www.museudavida.fiocruz.br/images/Publicacoes_Educacao/PDFs/OMESSolar2020vol1.pdf> Acesso em 6 de setembro de 2023.

Websérie “Astronomia em Doses” do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), em 15 de julho de 2022. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=s6jAL8Gg8MY&list=PLk2-NAaoUZyvTEgDAQYFnxB1ur5ZQRcBl&index=2> Acessado em 10 de setembro de 2023.

 

Por Willian Vieira de Abreu, sob supervisão de Paulo Henrique Colonese. Adaptado por Renata Bohrer para o Invivo.

Data Publicação: 27/09/2023