
Fig 1. Manguezal é formado por áreas alagadas onde a água doce dos rios encontra o mar. Crédito: Izaias Souza/Getty Images
Saiba mais sobre essas árvores e suas adaptações para sobreviverem nos manguezais
Já ouviu falar que mangue tem cor? Sim! O mangue, que são as árvores típicas dos manguezais, são popularmente conhecidas por nomes associados a cores. No Brasil, as florestas de manguezais são formadas principalmente por três tipos de mangue: mangue-vermelho, mangue-preto e mangue-branco. Essas plantas são fundamentais para proteção dos ambientes costeiros, que são regiões que ficam localizadas no encontro entre o mar e o meio terrestre. Vamos conhecer mais sobre essas espécies de plantas e entender por que elas são tão importantes para a saúde do planeta.
As florestas de mangue ocupam cerca de 14 mil km2 do litoral brasileiro, segundo dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A área equivale a quase 88 estádios do Maracanã e está distribuída desde o estado do Amapá até Santa Catarina.
Viver no manguezal exige adaptação!
Como os manguezais possuem características particulares como solo lodoso e pobre em oxigênio e água com alta concentração de sal, suas árvores compartilham adaptações que as ajudam a sobreviver nesse ecossistema. Entre as principais estratégias, está a presença de raízes que ficam expostas acima do solo, o que permite realizar trocas gasosas diretamente com o ar.
As plantas que vivem nos manguezais também apresentam mecanismos para tolerar a alta salinidade como glândulas nas folhas que eliminam o excesso de sal ou membranas nas raízes que impedem a absorção desse composto.
Há ainda estratégias relacionadas à reprodução, por exemplo, as sementes podem começar a germinar ainda ligadas à planta mãe, o que auxilia sua fixação quando caem no solo.

Fig 2. No detalhe da imagem, propágulos, que são estruturas reprodutivas que iniciam a germinação ainda presas à árvore-mãe. Crédito: ridham supriyanto/Getty Images
Conheça abaixo três exemplos de vegetação que fazem parte das florestas de manguezais do Brasil.
Mangue-vermelho (gênero Rhizophora)

Fig 3. A presença de rizóforos ou raízes escoras é uma das características principais do mangue-vermelho. Crédito: James St. John/Wikimedia Commons
Também chamado de mangue-sapateiro, o mangue-vermelho reúne espécies de plantas do gênero Rhizophora. As árvores deste tipo de mangue têm entre 6 e 20 m de altura e possuem uma casca geralmente lisa e clara, mas, quando esta é raspada, revela uma cor avermelhada.
O mangue-vermelho costuma ocupar áreas mais próximas das marés. Além disso, uma das características mais marcantes dessas plantas é a presença dos chamados rizóforos, que são caules aéreos que crescem em direção ao solo. Essas estruturas, que também são popularmente chamadas de raízes escoras, são fundamentais para a fixação e sustentação da planta, bem como para sua respiração.
A rede formada por esses caules também desempenha outros papéis importantes. Ela funciona, por exemplo, como abrigo para peixes, crustáceos e moluscos e também como local para sua alimentação e reprodução.
Essa rede ainda ajuda a estabilizar o solo, protegendo a costa da erosão.
O mangue-vermelho também é capaz de retirar grandes quantidades de gás carbônico (CO2) da atmosfera, o que ajuda no combate às mudanças climáticas.
Mangue-preto (gênero Avicennia)

Fig 4. Raízes adaptativas chamadas de pneumatóforos de mangue-preto. Crédito: Cristopher Gonzalez/Flickr
O mangue-preto, também conhecido como siriba ou sereiba, é composto por árvores ou arbustos do gênero Avicennia e, em geral, ocorre em áreas mais internas, que sofrem menos influência das marés.
Possui pequenas raízes chamadas pneumatóforos que se projetam acima do solo lodoso. Essas estruturas auxiliam na realização da troca gasosa das raízes submersas. Abaixo da superfície, aliás, as raízes crescem horizontalmente e formam uma rede que garante a sustentação da planta.
O mangue-preto também possui folhas com glândulas capazes de eliminar parte do excesso de sal que é absorvido pela água.
Várias espécies de animais se abrigam no mangue-preto. E ele ainda contribui para a retenção de sedimentos, melhorando a qualidade da água e também ajuda a evitar a erosão.
Mangue-branco (gênero Laguncularia)

Fig 5. Flor e folhas de mangue-branco. Crédito: Ulf Mehlig/Wikimedia Commons
O mangue-branco é o nome popular da espécie Laguncularia racemosa, a única espécie do gênero Laguncularia. Esse tipo de mangue também costuma ocorrer em áreas mais internas do manguezal, que sofrem menos influência das marés.
Assim como o mangue-preto, o mangue-branco também apresenta pneumatóforos que facilitam as trocas gasosas e folhas com glândulas que eliminam o excesso de sal absorvido.
Ainda sobre as folhas, outra característica é a presença de pecíolo vermelho, isto é, a pequena haste que liga a folha ao caule da planta. No mangue-preto, o pecíolo das folhas é verde e essa diferença pode ajudar a distinguir uma planta da outra.
Além disso, o mangue-branco possui pequenas flores brancas e também é conhecido popularmente por mangue-manso e tinteira.
Esse tipo de mangue também funciona como abrigo para várias espécies de animais, ajuda a reter nutrientes, a estabilizar o solo e a manter o equilíbrio do ecossistema.
Por que é importante conservar o mangue?
Além de proteger as regiões costeiras da erosão e funcionar como um filtro natural que ajuda a limpar a água, os mangues possuem grande capacidade de retenção de gás carbônico e, portanto, são muito importantes para o controle do clima.
Também atuam como um berçário para muitos animais, que encontram em seu solo lodoso abrigo e um local para reprodução, desova e criação de filhotes.
Os manguezais apresentam ainda grande importância econômica e cultural. Segundo dados do Atlas dos Manguezais do Brasil, lançado em 2018 pelo ICMBio, cerca de 120 milhões de pessoas em todo o mundo vivem a pelo menos 10 quilômetros de distância desses ecossistemas. Essa proximidade traz alguns benefícios, entre eles, pesca, extração de produtos florestais e água potável.
Saiba mais:
Cinco razões que tornam as plantas fundamentais para a vida na Terra
O Jardim Invisível: por que ignoramos as plantas?
Fontes consultadas:
National Geographic. O que são os manguezais e por que é importante conservá-los. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2022/07/o-que-sao-os-manguezais-e-por-que-e-importante-conserva-los. Publicação em: 26 jul 2022. Atualização em: 27 mar 2026. Acesso em: 23 jul 2026.
Brasil Escola Uol. Mangue. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/mangues.htm. Acesso em: 23 jul 2026.
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Mariano CCF, Bruno CEM, Rodríguez NEE. Manguezais e Comunidades Pesqueiras: O Manejo Sustentável para a Conservação do Ecossistema. Braz. J. Biol. Sci. 2025, v. 12, n. 27, p. 01-15. DOI:10.21472/bjbs.v12n27-006
Por Teresa Santos
Data Publicação: 28/07/2026
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